Okay. O tema do Clash, como todos sabemos e está escrito ali do lado, é moda. Mas é moda de um ângulo mais rock’n’roll, quase sempre ligada a música, então acho que o post a seguir é, como diria Detective McNulty na série The Wire, pertinente.

Ontem, o jornalista e Mr Popload gig Lúcio Ribeiro me mandou essa no twitter:
“@glittah vídeos gênios, thais. Na quarta vc foi uma das 400 pessoas mais felizardas do mundo por umas duas horas. Thanks. ;)”
Explico. Ele estava se referindo aos videos que eu fiz do show secreto do The Strokes anteontem, na minúscula casa de shows Dingwalls, em Camden Town. Show esse que, supostamemente, era um dos mais esperados do ano, um que entraria pra história do rock’n’roll contemporâneo, já que era o primeiro da banda depois de 4 anos e meio separados.
Eu não sabia disso. Não sabia que eles estavam planejando um retorno, e não sabia que esse retorno seria assim, surpresa, under the radar, completamente underground (ninguém sabia, aparentemente). Foi o email de um amigo conectado ao povo do Dingwalls dizendo que estava na luta pelos tais ingressos que me atiçou a curiosidade. Ele não me disse mais nada, e daí, pelos poderes do Google e do twitter, começou a maior caça ao tesouro desde 2007, quando o festival Glastonbury retornou depois de um break e 135 mil tickets foram vendidos em 1hr e 45min (eu também estava entre esses felizardos).
As 6 da tarde do dia 8, só o site da revista NME tinha se ligado na primeira pista. A banda havia postado no twitter (que eu não seguia) a imagem de um logo extremamente parecido com o deles onde se lia “Venison”, e na sequência, uma foto do canal que passa por Camden Town. Eles traçaram o tal logo ao site do Dingwalls, que incluiu em sua programação um show do tal Venison no dia seguinte, e uma única descrição: “Formely known as The Shitty Beatles.” Tickets seriam vendidos somente através do site da casa dali a 3 horas, as 9pm.
Obviamente, 3 horas no mundo virtual é MUITO tempo, ainda mais pra fãs tão dedicados como os do Strokes, e o site da casa caiu, quarenta e cinco minutos antes. Nove da noite o mundo estava dando reload na página inicial, e nada do link dos ingressos aparecer. No twitter, amigos frustrados já haviam desistido da idéia 20 minutos depois, mas dando um search em “strokes”, achei o username “VenisonFans”, conta de uma fã die-hard irlandesa que, até agora não sei como, tinha o link alternativo que levava aos benditos tickets. O momento que ela postou o link foi exatamente o momento que eu comecei a segui-la, e well, 20 libras mais tarde, eu era a felizarda recipiente de 2 ingressos (e confesso: podia ter comprado mais 2, já que meu BF conseguiu acessar o link ao mesmo tempo no computador do lado...mas deixamos pra lá, num raro momento anti-lucro).
Cheguei tarde, meia hora antes de as portas abrirem, e a fila estava curta e excessivamente calma. Uns poucos indie kids devidamente trajados em seus skinny-jeans-skinny-jaqueta-de-couro combo posavam com plaquinhas onde se lia “DESPERATE STROKES FAN, WILL PAY £XX FOR PAIR OF TICKETS” (valores entre £50 e £100), e um repórter da rádio BBC6 perguntava ao povo na fila quanto cada um tinha pago pelo seu (horas antes, um amigo disse no Facebook que a mesma rádio divulgou oferta de 6 mil libras.) Um espanhol se aproxima: venderia os meus por £300? No, thanks. Okay, £400? Hm. No, thanks, go away, antes que eu mude de ideia.
Na fila descubro feliz que seremos cinco brazucas (no final do show, éramos 7 – dois malucos conseguiram entrar no “jeitinho,” OF COURSE), e as portas abrindo, me dou conta do real tamanho do Dingwalls. É minúsculo pra uma banda desse porte. Tem um palquinho baixo, uma pistinha escura, duas bancadas/degraus, e um bar no fundo. Devagar, o lugar foi enchendo com calma, todo mundo se distribuindo de acordo: ninguém correu, ou se empurrou, ou deu de babaca. Parecia que aquele era só mais uma gig de uma banda qualquer, mas algo me dizia que a calmaria não ia durar, e do alto do meu 1 metro e meio, escolhi a bancada esquerda pra me posicionar estrategicamente. Iria tentar driblar os seguranças-armários e fotografar/filmar tudo para os incontáveis fãs malucos que me adicionavam no twitter aos quilos (graças a irlandesa die-hard, que me achou e divulgou).
Realmente, a calmaria não durou. Ás 9:20pm, Julian, Albert, Fabrizio, Nick e Niko, subiram no palco e 400 pessoas entraram em êxtase coletivo. Iniciando com New York City Cops, os 5 fizeram um set histórico só, SÓ com os maiores hits da banda desde 2001, em um clima de puro rock’n’roll: palco pouco iluminado, teto pingando o suor condensado de uma platéia que gritava todas as letras como se fosse rasgar as cordas vocais pra sempre (e Julian, mesmo assim, não deixou de cantar um segundo), em uma pista que se movia como uma serpente humana de tão sincronizados que eram os pulos. Foi uma paulada atrás da outra: Modern Age, Hard To Explain, Soma, You Only Live Once... a hora que o clássico riff de Last Nite entrou, foi como se todo mundo tivesse sido abençoado pelos deuses do rock: nós, os brazucas, a essa altura nos abraçávamos e dava parabéns uns aos outros, não acreditando na própria sorte. Julian, bem-humorado, brinca com um tênis perdido de algum fã, e agradece dizendo “You guys are the shit.”
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Uma hora depois, a banda pausa e deixa a platéia, completamente fora de si, gritando “VENISON! VENISON!” Cinco minutos depois, retornam pra mais cinco musicas, e encerram com “Take It or Leave It.” They leave it, rápidos como entraram, sem apresentar nenhum material novo. Ninguém parecia decepcionado.
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Tive sérias dificuldades pra filmar. Primeiro, de medo de ser arrastada pra fora por um dos armários, segundo, por medo de perder aquele momento único. Eu queria mesmo era ter me juntado a serpente humana (morreria esmagada, provavelmemte), mas a vontade de dividir foi maior e eu tentei ser firme. Falhei, claro. O resultado, altamente tremido, está entrando aos poucos no meu canal do youtube, que os malucos do twitter divulgaram ao redor do mundo.
No final, nós 5, mais uma francesa que fala português, e os dois brazucas penetras, fomos pro bar ao lado comemorar, cada um segurando orgulhoso sua camiseta com o logo da Venison. Não sem antes esbarrar em Chris Martin, aquele do Coldplay, saindo do show tão feliz quanto nós.
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Blogs ao redor do mundo se perguntam qual foi o motivo dessa aparição, se não foi uma indulgência elitista sem sentido, já que não houve nenhuma musica nova. Eu nem quero saber. Foi um privilégio sem tamanho ter acesso a um evento desse, sem hype, sem mídia, organizado, freqüentado e apresentado por paixão.
Como disse meu amigo Thellius:
@thellius Imagine [going] back to 2001 in NYC undergrounds and see The Strokes playing in a very small venue an all-hit gig for 400 insanely lucky people. 10 June 2010 03:25:06 via web
@thellius That was my night. Best gig of my life. 10 June 2010 03:25:21 via web
(*os brazucas penetras - esses merecem um high-five).
ps: fotos e vídeos tudo meu, então DEEM CREDITOS, GENTE DA MIDIA BRAZUCA, tb sô jornalista pô. :)
Salve, companheiros do rraurl! A titia aqui some, mas sempre dá um jeito de ressurgir das cinzas, hein? E desta vez, comecei esse post direto de terras verde-amarelas, ainda que no final de outra curta estadia – vim a trabalho, e já estou na gringa outra vez, ansiosa pela temporada de festivais que começa agora em junho. Afinal, quer desculpa melhor pra mandar ver no modelón do que ver bandas debaixo de chuva, vento, lama e cerveja quente? Ah, as delícias do verão britânico....
Mas enquanto eu não chego lá, as coisas andam pegando fogo no Braseew! Semana passada teve Casa dos Criadores, cabou de acabar o Fashion Rio, esquentam os tamborins da SPFW... que aliás, não foi, tipo, ONTEM em janeiro? Coitado dos estilistas que tem que aprontar coleções nesse prazo bondoso (o que explica certos resultados, néam?) Mas nem vou falar sobre desfiles porque tem blogs e sites suficientes fazendo isso a exaustão (apesar de que nem todo mundo fala a VERDADE – como bem apontou o estilista curitibano Jefferson Kulig , e nós dizemos AMÉN.)
O que eu queria falar MESMO é que existe esperança no Brasil - gente talentosa, espirituosa e com atitude rock’n’roll.
Felipe Caprestano é um desses seres iluminados (HALLELUYA). Daqueles que cria, com as próprias mãos, outfits absurdos em casa horas antes de tocar em uma festa no interior de Santa Catarina, simplesmente porque NÃO EXISTE a mais remota possibilidade de diversão sair de jeans e camiseta. Daqueles que busca um saco de roupas doadas em uma loja de caridade em Londres, reforma tudo e devolve, pra sorte de algum felizardo fashion. Daqueles que rema contra a maré só pelo prazer de chacoalhar o establishment.
Depois de uma recente temporada em Londres, Felipe voltou - claramente insatisfeito com a falta de criatividade nacional – e resolveu aplicar seus dotes ao projeto Face Couture. A idéia é criar uma coleção de máscaras inspirada em roupas e documentar todo o processo criativo através do blog, das referencias ao sample final – e ele ainda transmite ao vivo por vídeo-streaming toda a action, incluindo os editoriais pós-criação. Até agora, o resultado é no mínimo mind-blowing – questão de tempo até Karen O encomendar as suas.
Em entrevistinha rápida, Felipe fala com exclusividade sobre desordem, desapego e desconstrução.
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Primeiro, conta um pouco sobre sua história. Como e quando você começou a criar / costurar?
Minha família tem uma confecção, então desde sempre eu estive inserido nesse ambiente. Aos 18 anos comecei minha própria marca, a Dizhum, com a qual trabalhei por cinco anos e acabou me abrindo diversas portas, me levando a trabalhar com outras marcas e estilistas. Recentemente trabalhei com a Romeo Pires, que desfila na London Fashion Week.
Como surgiu a ideia do projeto? quantas máscaras serão feitas?
Fazia muito tempo que tinha vontade de fazer uma coleção de máscaras, desde que peguei algumas camisetas há uns três anos atrás e construí duas máscaras com elas. No início desse ano voltando de uma temporada em Londres achei que seria o momento certo de começar. Queria as máscaras e queria falar de roupas/exercitar ao mesmo tempo, então foi uma maneira que encontrei de unir as duas coisas. O blog documentando o desenvolvimento da coleção foi uma consequência. Sabe quando você está trabalhando sozinho e fica falando consigo mesmo só pra se escutar e tudo fazer mais sentido? O blog é uma versão pública e de longo alcance disso. No início não sabia qual o tamanho da coleção, mas agora estou pensando entre 20 e 30 máscaras.
Você comenta em um post que fica nervoso em relação a dividir informações e
referências (eu tb sinto isso). Como tem sido a experiência até agora?
Fico muito. É um exercício de desapego conceitual todos os dias! Mas tem sido ótimo porque com isso estou conseguindo, de certa forma, prolongar a vida útil dessas idéias. Hoje você passa meses trabalhando em um projeto e quando apresenta pro mundo as pessoas não perdem mais que cinco minutos olhando e já partem pro próximo. Abrindo o meu processo criativo eu estou começando a receber uma reação em troca desde já.
Suas inspirações são bastante rock'n'roll. Música influencia muito o seu trabalho?
Demais. Acho que todo trabalho visual é influenciado, em mais ou menos intensidade, pelo que você esta ouvindo enquanto cria. Nem que seja pelo silêncio.
Você fez um editorial e transmitiu ao vivo pela internet. Quais as próximas
cartadas? Vai rolar outro?
Certamente irei fazer outros. Esse primeiro foi ótimo, mas não sabia muito o que esperar. Quero explorar mais esse recurso!
Tem a intenção de criar um projeto similar com outros tipos de peças?
Tenho sim. Pretendo levar esse conceito work in progress a diversos trabalhos que eu fizer daqui pra frente, em escalas diferentes é claro.
Qual sua máscara favorita até agora?
The Clowny Mask! Consegui ali uma boa síntese entre máscara e roupas e comecei a ver muito mais possibilidades. E também devido a minha queda por palhaços.
Vai ser possível comprar suas máscaras at some point? ou vc tem a intenção de criar pra comercializar?
Não pretendo comercializar não. É um projeto totalmente conceitual e todas as peças são únicas. Até porque não acho que máscaras serão o hit da próxima estação (rs). Mas se houver interesse em compra, será possível sim.
E eu sei que vc tb e' DJ, então, faz um playlist pra gente do que vc anda escutando pra inspirar essa coleção!
Depois da overdose de Joy Division que eu tive, preparando a produção do último editorial "Disorder", tenho ouvido direto o "Daydream Nation" do Sonic Youth. Para costurar adoro Ssion, Chicks on Speed e Klaus Nomi.
O mundo dá voltas, hein? Ô, se dá. Ainda estou tentando traçar de onde surgiu essa revolução fashion, mas não sei exatamente put my finger on it.
É o seguinte: continuando o tema dos últimos posts,cheguei a conclusão que GENTE NORMAL TÁ NA MODA. Assim, que nem eu e você aí de casa, baixinho, gordinho, com vão nos dentes, quadril largo, rugas, idade, não interessa - é o último grito. Campanhas publicitárias de marcas high-fashion agora empregam "personalidades" e se elas têm como característica principal aquilo que até ontem era considerado um DEFEITO, então, melhor ainda. O importante é se distanciar do exército de clones do leste europeu que dominaram as passarelas na década passada.
Vejamos:
Tilda Swinton, 50 anos, rainha do cinema independente e mais conhecida pelos traços andróginos (até hoje não se sabe ao certo qual o sexo da atriz. Joking.), e' a musa da marca escocesa Pringle of Scotland.
Grau de normalidade (de 0 a 10): 6 - Tilda pelas qualidades acima não se encaixa lá muito na categoria NORMAL que eu e você estamos acostumados, mas o fato de ser cinquentona, ter rugas e cabelo de menino faz ela entrar pro nosso time, e não dos clones.
Mark Ronson, produtor musical mais conhecido por trabalhar com Lilys e Amys e todo mundo que é alguém no mundo pop atual, estrela a marca francesa Zadig & Voltaire ao lado da namorada Josephine de La Baume.
grau de normalidade: 8 - Mark é good-looking, mas tem toda a pinta de menino que trabalha com música (vide leitores do rraurl.) Talvez com um guarda-roupa mais sofisticado que os leitores do rraurl, por motivos óbvios.
Antes dele, Sean Lennon, mais conhecido por ser, well, um filho famoso, também estrelou a campanha ao lado da namorada Kemp Muhl (ela modelo de verdade, o que quase ZERA o grau de normalidade).
Falando em filhos famosos, sobrenomes musicais famosos agregam um nível de MOJO maior a pretensos modelos NORMAIS. Exemplo maior não que as irmãs GELDOF, Pixie e Peaches, filhas do filantrópico Live-AID man Bob Geldof.
Pixie, 18, baixinha e como irmã, dona de uma ARCADA DENTÁRIA PECULIAR, tem desfilado pra deus e o mundo incluindo Viv Westwood e Henry Holland, e feito campanhas pra Prada e Diesel.
grau de normalidade: 8 - Pixie consegue ainda consegue modelar mais por de fato CABER nas peças-piloto. O que não é o caso da irmã.
Peaches, 21, manequim 40, cheia de tatuagens toscas, têm estrelado editorias da W magazine e Nylon, e campanhas da Agent Provocateur e Ultimo.
grau de normalidade: 10. Peaches é definitivamente do times dos normais. Pontos pra ela por mostrar o corpitcho sem medo de ser feliz.
Mas o que pega mesmo (no pun intended) e' a presença oficial de modelos gordinhas em revistas que antes franziam a sobrancelha pra qualquer tamanho maior que o de uma criança de 8 anos.
A Ella francesa, essa semana, causou um furor ao colocar a americana Tara Lynn não só na capa, como nas páginas editoriais, vestida e despida com o mínimo de retoque possível. É claro, a revista trás um especial para moças RONDES, ou curvilíneas, e a revista foi criticada - como sempre - por usar a modelo mais como um golpe publicitário do que realmente promover mudanças.
Grau de normalidade: 7 - com esse rostinho de Angelina, Tara dificilmente se encaixaria no nosso time se tivesse tamanho de clone.
E por último, a Vogue Italiana inaugurou recentemente uma sessão chamada Vogue Curvy online, dedicada especialmente pra suas leitoras "normais", com dicas e photoshoots e discussões. No shoot abaixo, Crystal Renn, a top mais top das plus-sizes e a frente da batalha pelo direito de mulheres normais nas páginas de revistas de moda.
grau de normalidade: 7, o mesmo de Tara, pelo mesmo motivo.
E aí, já se identificou? Porque agora eu vou ali levar minhas fotos pra uma agência e ver se faço um extra.
Se existe um lugar no mundo onde pessoas interessadas em tendências devem olhar, esse lugar e' Paris durante a semana de moda. Não há lugar no mundo onde todos os aspectos relacionados a ela são levados mais a sério em termos COMERCIAIS, e assim o que for eleito como aceitável ali, será aceito ao redor do mundo.
Assim, como eu havia previsto na retrospectiva de dezembro, a MULHER COMO ELA É está de volta no mundo aristocrático da high-fashion. Ou como disse style.com, "isso e' moda que até HOMEM HETERO vai entender."
Então, homens desse mundo, celebrem O RETORNO DAS CURVAS, e agradeçam Marc Jacobs e Louis Vuitton por decretarem tal lei. Agradeçam a eles também (e outros designers que também pularam no vagão rapidim) por botar no casting as anjas brazucas da Victoria Secret's Alessandra Ambrósio e Ana Beatriz Barros, além da modelo curvilínia do momento, Lara Stone, que não podia faltar dejeitonenhum.
E o mais surpreendente de tudo: o retorno do sorriso! Sabe aquelas imagens de desfiles de 30, 40 anos atrás, quando a modelo tinha que parecer GRACIOSA, e não um robô temperamental? Pois Stella McCartney e de novo Louis Vuitton PERMITIRAM aquilo que em inglês chama-se de SMIRK - ou o sorrisenho debochado que fez de George Bush sinônimo da palavra. Okay, nada gracioso, mas um avanço imenso na civilização alienígena que é esse mondo da moda, huh?
Estamos todos cansados de saber que moda e música andam de braço dado desde que o mundo é mundo, e já faz um tempinho que poderosos do mundo corporativo entenderam que unir os dois rende mais do que um trocadinho extra. Lily Allen ensaiou uma colaboração com a marca high-street New Look lá em 2006, Beth Ditto enlouqueceu com paetês e lycra ano passado pra uncool Evans, Lovefoxxx fez as estampas e acessórios da última coleção da Triton... e até os bad boys do selo francês Ed Banger Records tem sua linha de camisetas (depois daquele vídeo bafo do Justice - acima - não tinha como não ter.)
Mas vamos e venhamos, tá fraco isso ( e nem vou comentar as colaborações FORTES de *artistas* como Avril Lavigne e ... Fall Out Boy.) Sendo assim, a gente resolveu compilar uma listinha de 11 artistas estilosos entre novos e velharias que, se não tivessem coisa melhor pra fazer, como, sei lá, MÚSICA, poderiam fazer um extra-cash emprestando seus guarda-roupas pra serem copiados.
1- Pete Doherty
Falem o que quiser do moço, mas ninguém faz a linha Young Tom Waits Britânico como ele. Eleito por Hedi Slimane, ex-cabeça da Dior Homme e hoje fotógrafo rock'n'roll e CHIC, como um "homem de relevância", Doherty marcou seu espaço no sub-consciente fashion sem fazer muito esforço (além de cortejar Kate Moss.) Meninos indies do mundo inteiro comprariam sua coleção de skinny blazers, jaquetas militares e chapéus.
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2- Natasha Khan, a Bat For Lashes
Depois de tanto anos 80 - ombreiras, lycra, neon, and the like - permeando a moda nas últimas estações, o lado esvoaçante e despreocupado dos anos 70 estão a beira de, sim, OUTRO revival. Natasha e seu estilo semi-Woodstock, cheio de cocares e arranjos de cabeça, daria todo um sentido concreto a penas, paetês, e glitter que nem a escola de samba Porto da Pedra conseguiria imaginar em seus sonhos mais hippies.

3- MGMT
Falando em, ahm, neo-hippies, são poucos os músicos do sexo masculino que conseguem se libertar no quesito figurino sem medo de parecer um membro do Scissor Sisters - e os moços do MGMTtem atingido tal façanha com grande êxito até agora. É de se imaginar o que seria uma colaboração sartorial com a dupla - uma coleção inteira sem botões na parte de cima, certamente (ou completamente sem camisas).
4- Florence
Florence e' a rainha do vintage e suas escolhas de looks, tanto em cima quanto fora dos palcos, são típicos do jeito britânico de se vestir: idiossincrático, sexy e ligeiramente desalinhado. Se algum dia a Topshop precisar substituir Kate Moss, Florence seria uma séria candidata.
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5 - Daft Punk
Okay. Eu tinha que colocar na lista algum artista do mundo eletrônico, e depois de quebrar a cabeça atrás de DJS com uma identidade visual forte, não veio ninguém que merecesse entrar na lista (sugestões, por favor, fique a vontade nos comentários). Eles não são DJs (ou nem humanos, talvez), mas não há como não associar o look BIKER CHIC DO FUTURO sem pensar nos reis do capacete metálico. Imagine a linha incrível de jaquetas de couro em cores do outro mundo que não renderia uma colaboração com eles? Kanye West, presta atenção.
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6 -Courtney Love
Ela erra mais do que acerta, e costumava acertar muito mais nos anos 90, mas não tem como a rainha do grunge não exalar uma aura cool com sua mistura de lingeries e camisolas com couro e jeans rasgados. Fã de Rick Owens e Helmut Lang, Courtney so' tem fama de desmiolada - em fashion, ela sabe bem como separar o joio do trigo.

7- Patti Smith
Isso é pura utopia, afinal, Patti JAMAIS dedicaria horas preciosas do seu tempo pra pensar em roupas - quando poderia estar escrevendo outro poema baseado na conexão entre o movimento barroco e a teoria da semiótica em letras de músicas neo-punk. Mas por sintetizar com tanta maestria a estética andrógina sem a menor intenção, é impossível não fantasiar com o resultado fantástico que uma linha de camisetas e jeans podrinhos teriam em mãos tão poéticas.
8 - Debbie Harry
Debbie tem sido TÃO, mas TÃO copiada nos últimos anos por garotas indies do mundo todo que se ela fosse pedir um centavo pra cada uma que surrupiou o look óculos Wayfarer + cabelo desgrenhado e descolorido + batom, ela estaria agora afogada em moedas. Pra ser sincera, acho que a Ray-Ban devia colocar Debbie na sua folha de pagamento pro resto da vida por décadas de marketing gratuito servidos a marca.
9 - Bjork
Well, preciso explicar? Apesar de que, em termos comerciais, seria complicado pensar em versões aguadas de QUALQUER coisa que Bjork tenha usado nessa vida (imagine aquele vestido de cisne transformado numa... estampa de cisne. Perderia toda a graça). Se McQueen tivesse vivo, quem sabe ele não encontraria a solução pra unir o excentrismo da cantora ao consumismo desenfreado que nos assola? Pena.
10 - David Bowie
DUH. Esse eu não vou perder meu tempo explicando. Just obvious in every way.

11 - Grace Jones.
Ah. Chapéus e maquiagem. Done.
(PS: não, não vou incluir nessa lista a Lady Gaga. Não dessa vez.)
Eu sempre tento fazer tudo ao mesmo tempo, mas na grande, overwhelming maioria das vezes, obviamente não consigo. Quando eu consigo terminar alguma coisa, normalmente demora mais do que o devido - e nessa era de twitter e informação a jato, isso é praticamente UM PECADO digno de se queimar no fogo do inferno. Oh well.
Assim, minha tentativa de documentar o agito e burburinho acontecendo durante a London Fashion Week AO MESMO TEMPO que eu produzia o show do Basso & Brooke acabou ficando no primeiro dia, né? Como o show era no quinto dia, tudo o que rolou no meio passou praticamente batido (mas nada que não tenha sido documentado a exaustão, anyway). Então, enquanto eu corria de um lado pro outro e não dormia, fui fazendo um mini-photo-diary do casting e backstage no meu celular.
então here you go: estou postando as Fotos pequenas pra não traVar a conexão de ninguém (Brasil, né?), mas só clicar na foto que dá pra ver ela maior.
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A primeira arara de roupas, fresquinhas, ainda no QG Basso & Brooke.
Bruno Basso, o sultão do reino das estampas digitais. :P
O sultão experimenta novas maneiras de exibir suas criações.
James Kaliardos, mestre maquiador da L'oreal, registra mais uma obra-prima.
A make-up do show, em tons de "deserto".
"Escolhas, escolhas, escolhas...."
"Great. Can you give us a walk, darling?"
Larissa, mega-assistente, mostra serviço.
As, as ankle boots. Obra-prima de Julia Finsk.
Essa é a MINHA cara.
"Tudo posso naquele que me fortalece." Essa é da modelo brazuca Viviane Orth, que encerrou o show.
Muita informação deixa a top Tao Okamoto meio confusa...
Um dos looks do show, baseado no Uzbequistão.
Allan experimenta o cabelo gráfico do show na Larissa.
Coque quadrado, tá?
E as modelos entram e saem, cada uma com um sapato mais absurdo. Essas botas são Viv Westwood...
... e essa peludinhas são Nina Ricci.
E essa, ai, Givenchy. I die.
Bruno e uma de suas criações na entrada da tenda principal da LFW.
Tudo bonitinho esperando as modelos chegarem.
Fabiana, outra top brasileira, finge que tá acordada.
Timoxa, já não consegue disarçar.
E o drama começa...
continua...
mas antes, o show em SI.
ENJOY.
BASSO & BROOKE AW 2010 - LONDON FASHION WEEK from Esquire on Vimeo.
Resolvi fazer um espécie de diárinho fotográfico enquanto está rolando a London Fashion Week pra vocês, queridos leitores do rraurl. Blogar da maneira que eu normalmente faço, cheio de palavreados, vai ficar completamente impossível, mas acho que sempre sobra um minutim pra botar fotos (que e' a parte legal néam? who cares about words these days...)
Então, Primeiro Dia de LFW!
Povo de East London se lanca na montaria pra entrar nos shows. O melhor dia foi o chapéu do moço de preto. Demorei HORAS pra reparar o que era. Excelente.
Entrada da tenda principal. Londres tá mesmo virando a capital das estampas digitais!
Tá uma onda de pintar o cabelo de cinza e cores de SORBET, tudo meio apagado. Acho interessante.
Essa bota da NIna Dolcetti, apresentado na Estethica, a mostra de designers éticos,prova que material reciclado também é sexy. MUITO sexy.
Tricotar nunca foi tão COOL. Essas duas figuras estavam assim, lindas, no meio da agitação toda.
Essa é a Lady Gaga de East London, colega de sala da minha flatmate Aline. E ela se chama Ryhanna. E sim, isso são cabeças de barbie no ombro dela. Não deve ser nada prático colocar o casaco na hora de pegar o busão.
Modelos enroladas em chiffon e tons de SORBET (vai se acostumando...cores aguadas são tudo na vida) marcham no encerramento de Bora Aksu.
Marina Gasolina, ex- Bonde do Rolê, dá um abracinho em moi no fim do show de cabelereiro-du-jour Charlie Le Mindu.
Atmosfera ultra dark no show de Le Mindu.
Super blogger Susie Bubble aposta no bege dos pés a cabeça.
Sei que a foto ficou uma nhaca, mas e' so' pra constar que David Koma, o designer favorito das stars do momento que vai de Beyonça a Cheryl Cole, mostrou que zíperes podem ter funções mais interessantes.
Mais atmosfera DARK no show de James Hock. A trilha sonora desse show me deixou seriamente perturbada, cheia de risadas macabras e barulhos diabólicos. :/
A parede memorial de Alexander McQueen dentro da tenda principal. Podia ser maior né? Já tava cheia no primeiro dia.
Abertura de Bora Aksu.
Hilary Alexander, peso-pesado da indústria, correspondente do Daily Telegraph, procura direções pro próximo show.
E eu, no final do dia, acabadjinha, vestindo top Basso & Brooke.
continua...
Hoje a London Fashion Week deu seu primeiro pontapé em direção a um futuro inverno fashion (sorry, essa foi horrível... tô cansada), mas antes de eu me jogar de cabeça em falatório de estilistas e acessórios e gentchi do meio, posso fazer um resumão rápido dos melhores figurinos dessa semana de Carnaval e Brit Awards? Por que ultimamente o povo da moda tem andado TANTO de braço dado com o povo da música que dá gosto de ver. Principalmente no Brasil e no Reino Unido.
Então, obviamente eu não pulei Carnaval esse ano (aliás, eu não lembro a última vez que eu fiz tal coisa), mas graças as maravilhas tecnológicas de live video streaming, hoje em dia da' pra dar uma espiada na Globo entre um episódio de Mad Men ou outro. E antes de eu cair no sono na segunda, foram boas as surpresas fashion que apareceram na tela sofrida do meu Mac, quase tudo mérito da Porto da Pedra:
Geisy de Arruda LENDA vestindo uma versão monárquica DAQUELE vestidinho polêmico (que até hoje eu não entendo por que diabos aquele vestido causou TANTO alvoroço... alguém explica?)
As caveiras de Herchcovitch avançando no Sambódromo como um exército apocalíptico de...Alexander McQueen (é dele a influência, né não?).
Marília Pêra também LENDA (gente, restylene e botox é o novo hidratante das atrizes brasileiras hein? Que inveja) de Coco Chanel, pérolas e tudo (será que a bolsa é verdadeira?)
Eu não sei explicar direito o que é essa ala, mas achei que o conjunto visual da mensagem na ... o que é isso, uma bata? teve impacto bonito. Apesar de que se você parar pra pensar mesmo, "comer e beber roupa" pode resultar em distúrbios alimentares, e já basta esse meio da moda ser todo paranóico com peso... :P
Eliana (olha o restylene aí de novo minha gente) nem foi atrás de fantasia e optou instead por um look arara da hilária Neon. Fiquei doida imaginando como ficaria nela o look elefante ou o coruja do inverno 2010, nas fotos abaixo.
E Claudia Leite em Salvador, simplesmente pelo ESFORÇO que deve ter sido vestir um look desse, preso até o rabo de cavalo. Imagine a sessão que não deve ser ir no banheiro?
Agora, mais perto de casa, na terça-feira tive também ótimos momentos enquanto assistia ao Brit Awards - uma espécie de VMAs britânico menos engraçado, mas com quase tanto apelo fashion quanto o Carnaval.
E claro, VOCÊS ACHAM QUE EU IA DEIXAR ELA DE FORA? Dame of Gaga, presente em praticamente TODOS os meus posts nesse blog, destruiu mais uma vez, fazendo uma bela homenagem a McQueen.
Lily Allen fez várias APARIÇÕES (não há como usar outra palavra) usando uma série de perucas retiradas provavelmente do closet de Elizabeth Taylor nos anos 80. Não consigo pensar em uma explicação concreta pra ela ter escolhido tais penteados, mas de repente eu estou perdendo alguma mensagem subliminar ... ou tendência.
E Mel B das Spice Girls (leeembra dela? nada como ressucitar estrelas dasantiga quando a Beyonce tá no Brasil hein?) optou por fazer um Alice Dellal, o raspado escolhido por 9 entre 10 fashionistas em 2008 e 2009 (inclusive essa que vos fala... ainda estou amargando os longos meses que levam pra voltar a crescer).



































