Cinco perguntas para Ellen Allien
A DJ, produtora, empresária e agora estilista reafirma suas raízes musicais inorgânicas:
01.11.06 13:00
Ellen Fraatz aka Ellen Allien é há tempos a embaixatriz da música eletrônica berlinense, posto ocupado pelo devoção que a moça tem por sua cidade Stadtkind (City chil") e Berlinette são seus primeiros grandes releases e tratam de musicar Berlim e prestam uma homenagem pessoal à cidade do muro.
A alemã alta, franzina, de rosto quadrado e olhos azuis, é dona de uma beleza exótica que pode assustar os padrões brasileiros. É também uma das maiores empreendedoras da dance music. Galgou postos: de promoter a DJ, de dona de selo a produtora, de estilista a persona da cena, consagração construída agradando gregos e troianos no caso, hipsters e hypes (Ellen e o Bpitch podem ir do IDM glitch ao techno e electro com vocais açucarados), se tornando então uma das maiores figuras femininas que a música eletrônica já viu.
Em 2006 o principal projeto de Ellen foi o álbum Orchestra of Bubbles, produzido com outro alemão, Sascha Ring, ou simplesmente Apparat. O álbum deep, sutil e viajandão da dupla ajudou Apparat e seu IDM desconstruído a sair das trevas do underground alemão (ele também é dono de um selo com T.Raumschmiere, Shit Katapult, já fez remixes para Ellen e Nathan Fake, etc.).
O live-bubble de Ellen e Apparat ainda é a grande sensação do momento na Europa, foi um dos heads do I Love Techno 2006, ao lado de Kraftwerk. Caro, inventivo, intenso e com a presença de palco dos dois. Segundo Ellen, promoters tentaram bookar os dois para tocar no Brasil mas não deu certo. Ela planeja então uma turnê brasileira para 2008 (!). Isso se até lá o techno não mudar e Ellen Allien já não for coisa do passado. Confira o ping-pong com a moça, via e-mail do novo escritório da Bpitch Control.
Há muito falatório em torno do dance punk e das bandas que misturam rock e dance. Alguns dizem que isso é causado por uma falta de criatividade da música eletrônica, mas alguns fãs do gênero já estão cansados com o excesso de guitarras. Você concorda com essa "crise criativa"?
Não. Falando como uma produtora "eletrônica", não estou cansada desse som. Eu amo tocar techno. Quando faço música, vocais, canções e teclados saem de mim. Techno não está "out", esses artistas que você cita são direcionados à audiência mainstream, eles são jogados ao mercado de maneira diferente da nossa.
Por outro lado, eu realmente gosto dessas "novas" bandas de rock, particularmente as do Reino Unido. Mais coisas virão porque em Londres as guitarras estão vendendo muito. O rock vende!
Mas qual é o papel do rock na sua música?
Hmm, para ser honesta, eu não sei. Nós somos freaks eletrônicos com diferentes faces, eu sou muito mais uma raver do que uma Debbie Harry.
Deixando seu lado raver de lado e perguntando à Ellen Allien chefe do Bpitch Control: como você define uma faixa como "criativa"?
Isso é fácil de responder: uma faixa tem que me causar algo fisicamente. Ela tem que me mexer, meu corpo, minhas emoções... Se isso é possível, nós lançamos. A pessoa por trás (de uma faixa) é sempre radiografada.
Como está a vida após Orchestra of Bubbles?
Ainda estou vivendo isso! Semana passada tocamos para seis mil pessoas, foi tão divertido! Estar em turnê com o Apparat mudou minha vida de algum jeito, estamos orgulhosos de experimentar tanto juntos. Veremos o que acontece em seguida, no momento estou com meus projetos, fazendo um remix para Thom Yorke ele é um dos meus heróis e me sinto tão honrada em fazer isso! Eu também fiz um remix para o Beck e minha próxima coleção de roupas está a caminho. Eu amo essa mistura de música, moda, DJing, turnês, comandar um selo...
Quantas pessoas entre os 17.445 (número até o fechamento dessa edição) perfis adicionados no seu MySpace são realmente seus amigos?
Haha, muitos deles! O planeta é cheio de pessoas viciadas em música, e eu sou uma delas! Música me faz sonhar, dançar e viver.