O homem que trará o Radiohead
Luiz Oscar Niemeyer
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O homem que trará o Radiohead
Fomos ao escritório de Luiz Oscar Niemeyer no Rio, para saber como foi negociar o Radiohead e o Kraftwerk juntos
27.01.09 17:05
No modesto mas bem arrumado escritório da produtora Planmusic no Leblon, Rio de Janeiro, um entra-e-sai de funcionários dita o ritmo junto com vários quadros de fotos e clipping de matérias jornalísticas. Imagens de Paul McCartney e Eric Clapton em estádios tem similar importância de um cartaz da Billboard de março de 2006 mostrando como as duas datas de U2 e Franz Ferdinand no Brasil foram os espetáculos mais rentáveis daqueles meses, muitas cifras a frente de Cirque du Soleil e Elton John e Céline Dion em Las Vegas.

Na maior sala, com vista para o morro do Corcovado, trabalha o homem que está trazendo o Radiohead (e o Kraftwerk) para o Brasil. E que trouxe os Rolling Stones à praia de Copacabana, que produziu o Hollywood Rock nos anos 90, bancou a vinda de Elton John recentemente e comandou vários outros shows que você já deve ter ido. É o escritório de Luiz Oscar Niemeyer, que o rraurl.com visitou rapidamente para conversar sobre a vinda da grande última banda de rock a essas terras.

2009: RADIOHEAD NO BRASIL
2009: RADIOHEAD NO BRASIL


Reservado e bastante ocupado, Niemeyer confessa que já trouxe ao Brasil todos os seus ídolos e outros artistas que são desafios de logística e de produção. Paul McCartney no começo dos anos 90 foi um deles, em plena recessão da Era Collor, no que virou a famosa e bem-sucedida ação de marketing "Paul in Rio". Rolling Stones há três anos para mais de um milhão de pessoas nas areias de Copacabana, e agora o disputadíssimo Radiohead, que vem deliciosamente acompanhado de Kraftwerk e dos brazucas ame-ou-odeio do Los Hermanos, que se reunirão rapidamente apenas para abrir para os ingleses.

JUST AN ANNUAL FEST?
No papo abaixo, a promessa de manter todo ano o festival Just a Fest, criado para essa festa com o Radiohead, apesar da maré inconstante do circuito de eventos, patrocínio e expectativa de shows. E também várias opiniões sobre a música independente hoje, ele que já foi presidente da BMG Ariola e sustenta um quadro comemorativo de 150 milhões de CDs vendidos em sua gestão - números talvez impossíveis em 2009.
Niemeyer mostra ainda uma paixão mais profissional do que sentimental pelos artistas o qual já trabalhou. Tanto é que, lembrando a histórica passagem do Nirvana pelo Hollywood Rock 1993, diz que os surtos de Kurt Cobain no palco eram "parte de sua expressão artística". Não à toa, suas opiniões sobre uma artista porra-louca de hoje, Amy Winehouse, são contundentes: "melhor coisa que surgiu em anos, adoraria tê-la aqui". Tomara!

Como foi a movimentação para trazer o Radiohead ao Brasil?

Desde quando eles saíram em turnê ano passado com o In Rainbows que iniciamos conversas com o agente deles para trazer a band. Quase que rolou ano passado, mas não deu, e agora finalmente nós retomamos as conversas e conseguimos inserir a América Latina na agenda deles.

*Em seus primeiros shows de 2009, o Radiohead se apresenta dias 15 e 16/mar na Cidade do México; dia 20 no Rio de Janeiro e 22 em São Paulo, seguindo para shows em Buenos Aires (24) e duas datas em Santiago do Chile (26) e (27).

1993: Nirvana faz show caótico e histórico no Hollywood Rock
1993: Nirvana faz show caótico e histórico no Hollywood Rock
O festival Just a Fest será anual, ou foi criado só para receber o Radiohead?

Bem, vamos ver o retorno que teremos agora, mas a idéia é que seja anual. A gente acha que, como já largamos com uma programação forte, temos uma credibilidade boa para seguir.

É você que cuida de toda a curadoria artística da Planmusic?

Sim, sou eu. Sou diretor da parte artística, eu que escolho, faço as programações, que defino tudo nesse sentido. Evidentemente converso com muita gente, ouço muitas opiniões de "curadores informais", pessoas que participam conosco.

Queria que você comentasse o resto do line-up. Kraftwerk e Radiohead juntos é algo definitivamente histórico, só faltava ter Daft Punk pra encerrar a noite...

Na realidade o Kraftwerk surgiu do próprio Radiohead, a banda que sugeriu. Topamos na hora, e o Los Hermanos trabalhamos daqui para montar o show. Até em vista dos artistas que se apresentam no festival eles toparam se reunir.

Esse nicho de público alternativo, com shows de cerca de 30 mil pessoas, dá para manter atualmente aqui no Brasil?

Eu acho que sim, a música se renova, novos artistas surgem, crescem... A música é uma fonte de criatividade e inovação constante. Por acaso agora a gente deu a sorte de conseguir uma banda super esperada no Brasil há muitos anos, que ninguém conseguia trazer. Isso deu uma visibilidade muito grande.

Mas certamente ano que vem vamos buscar algo muito bacana. De qualquer modo o TIM Festival está aí no ar há mais de vinte anos. Evidentemente tem ano que é melhor que o outro, mas enfim, a qualidade se mantém.

2006: Rolling Stones na Praia de Copacabana levou 1,5 milhão de pessoas a um dos maiores shows de rock da história
2006: Rolling Stones na Praia de Copacabana levou 1,5 milhão de pessoas a um dos maiores shows de rock da história


O TIM é o típico evento proprietário brasileiro, pilotado por marcas. O Just a Fest a princípio não. Quem são os patrocinadores e investidores?

Os patrocinadores ainda estão sendo definidos. É um festival que independe de patrocínio, ele se banca sozinho pela venda de ingressos. Vários shows ultimamente aqui no Brasil estão sendo montados assim.

A possibilidade de trazer o Radiohead foi algo que surgiu e era imperdível, a gente não teve como perder tempo buscando um grande patrocinador. Então decidimos abrir a venda.

Independente ou não de patrocinadores, o show não depende disso pra acontecer.

Em termos de exigências, cachê e logística, o Radiohead é uma banda relativamente "pequena", ou já é das grandes?

Não, é banda grande, definitivamente. Eles tem uma produção muito requintada, junto com o show vem toda a estrutura de palco (luz, leds) que eles apresentaram ano passado no exterior. É um trabalho grande.

De todos os shows que a Plan Music já produziu, qual foi o mais significativo até hoje em sua opinião?

Eu acho que todos tiveram seu significado, mas o Rolling Stones em Copacabana sem dúvida teve o maior retorno porque foi um dos maiores já realizado. 1,5 milhão de pessoas, de graça na praia, um show único que certamente não irá se repetir. Certamente foi o maior espetáculo que já produzimos.

O U2 foi na mesma época e foi um show normal, em estádio. Não que não tenha sido bacana, mas o show do Rolling Stones foi bem mais diferenciado, mais complicado de fazer. Marcou a gente e a banda também.

Você foi presidente da BMG Ariola, o que acha dessa nova era pós-In Rainbows de lançamentos e divulgação cada vez mais fora das gravadoras?

Acho que faz parte de um movimento natural. Usar a web como ferramenta de marketing pode trazer retorno para as bandas em termos de shows, turnês. A estratégia do Radiohead foi boa, saíram da EMI para um método independente bem-sucedido, é a independência total.

Para as gravadoras o pior já passou, elas já se adequaram a uma nova realidade de mercado, uma nova forma de vender e distribuir música. Hoje o digital, através do telefone e internet, já representa fora do Brasil algo em torno de 25% do faturamento.

O pior já passou, as gravadoras vão continuar. Só que adequadas a um novo modelo.

Como produtor, você acha que eessa nova realidade de mercado mexeu com o roteiro e a intensidade de shows?

O que acontece é o seguinte: antigamente as gravadoras eram o funil que as bandas tinham para chegar nas pessoas. Um contrato fazia sua música chegar tanto de forma física e pela promoção. Para tudo haviadependência, hoje isso já não existe. Dá para uma única pessoa gravar seu disco e distribuir o material, tudo a custos bem pequenos e viáveis.

1990: PAUL IN RIO
1990: PAUL IN RIO
Os shows e turnês sempre foram importantes e continuarão sendo. O que acontece é que agora todo mundo está de olho nele (no mercado de shows) por causa das bandas independentes, que decidem sair sozinhas em turnê e conseguem ganhar milhões sem precisar da gravadora.

A concorrência é bem maior hoje, então?

Não, há novos jogadores no mercado, até mesmo as gravadoras estão tentando entrar nessa onda. É normal, faz parte da dinâmica do negócio. Diria que é mais uma renovação.

Agora se presta mais atenção nisso. Se você folhear a Billboard hoje, uma revista para a indústria fonográfica, percebe-se que 50% do editorial da revista é sobre turnês e shows. A importância econômica disso cresceu muito.

Tem algum show e artista que você ainda sonha trazer para o Brasil?

Não. Pode ser que surja algo, mas eu já trouxe todos que eu goste ou já quis. Trouxe Nirvana, trouxe Red Hot Chilli Peppers, trouxe Paul McCartney, trouxe Supertramp, trouxe Eric Clapton, trouxe Paul Simon, trouxe Bob Dylan, trouxe Bon Jovi, Pretenders, Bruce Springsteen, enfim é muita gente. Elton John recentemente e agora estou trazendo o Radiohead.

Meus ídolos eu diria que trouxe todos, graças a Deus.

ESTAREMOS LÁ, É CLARO!
No Rio de Janeiro, o Radiohead se apresenta na Praça da Apoteose. E em São Paulo na Chácara do Jockey - ainda há ingressos disponíveis para as duas apresentações, mas segundo relatos da imprensa, deve ser que esgotem logo para São Paulo. Aguarde a cobertura rraurl e várias matérias especiais sobre a banda e o festival Just a Fest.

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
10 comentários
"Independente ou não de patrocinadores, o show não depende disso pra acontecer"

Atacado esse tiozão hein!
Rosina
Rosina(06.02.09)
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Amy?! ;O
feof
feof(02.02.09)
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olha, sera que o kw vem equipadao? ou com estrutura miada?
CAio C B
CAio C B(29.01.09)
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Beastie boys pra ano que vem hein!
Felicio Marmitex
Nossa, que comentário foi esse do Raul??