RRGEEK #52 - Resumão Campus Party 2010
Campus Party 2010
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RRGEEK #52 - Resumão Campus Party 2010
Evento discutiu tópicos polêmicos como a morte dos downloads e leis de direitos autorais.
02.02.10 09:05
E chegamos a mais uma edição da Campus Party. A maior festa da web brasileira cresce a cada ano: em sua terceira edição, o evento contou com 100% dos seus seis mil ingressos vendidos dias antes da abertura (segunda 25/jan), recebeu convidados ilustres, políticos, caravanas dos quatro cantos do país e muita, mas muita troca de informação. No total, 100 mil pessoas circularam pelas áreas abertas ao público.

A Campus Party teve também um número recorde de patrocinadores (54 ao todo) e um investimento de R$ 7,5 milhões. Dentre as principais atividades, ganharam atenção especial os debates sobre as mudanças nas leis de direito autoral e o acesso livre à Internet como um direito humano. Confira alguns destaques:

A Morte do MP3

A indústria musical foi tema de vários debates espalhados por todos os dias do evento e um dos mais legais foi o que discutia a "morte do MP3". A conversa girou em torno do fim do ato de baixar músicas graças ao sucesso do streaming.

Se antigamente a rotina de um fanático por música era ir na sua loja preferida e voltar pra casa com aquele vinilzão lindo embaixo do braço, isso logo foi substituído pelo ato de baixar MP3 em blogs e programas P2P. Hoje em dia, ter uma biblioteca do iTunes lotada de arquivos equivale ao que há 15 anos seria ter uma prateleira repleta de discos.

Mas de uns tempos pra cá a história foi ficando diferente. Apesar dos avanços na popularização da banda larga, muita gente ainda sofre para baixar arquivos muito grandes. Daí o sucesso de sites de streaming, que trazem tudo a sua disposição sem precisar esperar por um download que nunca acaba. Agora, ter uma lista enorme de músicas no Last.FM vale mais que ter uma pilha de arquivos MP3.

Para Alexandre Mathias (Editor do caderno Link, do Estadão), logo "não teremos mais um iPod recheado de arquivos, mas sim contas em sites que tenham toda nossas músicas preferidas em um lugar só e que possam ser ouvidas com um simples toque".

campuseiros


Thiago Carandina (Jornalista Musical e ex-Myspace) cita porém que tudo é muito relativo e que "um fã de música sempre vai querer algo especial. É o tal fetiche pelo vinil, por exemplo. O fã do Radiohead com certeza fez o download de graça das músicas do grupo, mas também fez questão de comprar o CD que tinha uma edição especial" - teoria esta também proposta por Brunno Constante (Repórter do Portal MTV), que cita o revival do vinil (que acontece inclusive no Brasil) como referência: "uma tecnologia não mata a outra", conclui.

O culpado pela queda da indústria da música é unanimamente aceito como sendo o pensamento arcaico que as gravadoras insistem em ter mesmo nos dias de hoje - onde artista nenhum mais precisa dela para fazer sucesso. "O fã de música não quer mais que digam para ele o que é legal ouvir", conclui Alexandre, citando o atual sucesso da banda Vampire Weekend, que chegou ao primeiro lugar da BIlboard com um disco nada comercial e sem uma major por trás deles.


Kevin Mitnick e Scott Goodstein, superstars na Campus Party

kevin MitnickCom ares de super produção hollywoodiana, Kevin Mitnick subiu ao palco da Campus Party para a mais aguardada das conferências do evento. O ex-cracker-atual-milionário do ramo de segurança foi recebido com a mesma ênfase que um grupo de meninas adolescentes receberia o Jonas Brothers na porta de um hotel.

Bastante à vontade e brincando muito, Kevin colocou toda a culpa do sucesso de hackers e fraudes da web nas mãos dos internautas. "Infelizmente ainda não temos como baixar na Internet um arquivo contra a imbecilidade humana". Em sua palestra, Kevin provou que realmente a maior ferramenta nas mãos de um hacker não é a tecnologia, mas sim a exploração das fraquezas humanas, o fato de a maioria de nós acreditarmos em tudo o que lemos e não desconfiarmos o suficiente - aquela velha história do "isso nunca vai acontecer comigo".

Kevin era aplaudido a cada história que contava de como ele conseguia ter acesso à informações sigilosas explorando apenas o despreparo de, por exemplo, uma secretária inocente - e muitas vezes nem sequer chegando perto de um computador. É o que ele chama de Social Engineering, ou Engenharia Social. Para ele, a verdadeira tecnologia que as empresas precisam desenvolver para se proteger de invasores é o treinamento adequado de seus empregados: "ensine ao seu assistente que é OK dizer não de vez em quando", ele brinca.

Outro superstar da CP foi Scott Goodstein, o estrategista das mídias sociais da vitoriosa campanha de Obama em 2008. Scott contou com detalhes como o uso da web foi fundamental em acender o engajamento político dos jovens e tornar Obama um ídolo mundial.

Goodstein foi categórico em dizer que tudo só foi possível pois Obama resolveu abraçar a ideia e estimular o uso das redes sociais e trocas de arquivo pelos internautas, e que esse é o caminho certo a seguirmos daqui pra frente: adaptar os modelos antigos à essa nova realidade 2.0 ao invés de corrermos contra ela.


Fundador da Creative Commons lança nova licença para o Brasil durante a Campus Party

Outro convidado especial da Campus Party 2010 foi o fundador da Creative Commons Lawrence Lessig, que aproveitou sua passagem pelo país para divulgar pela primeira vez a versão da licença CC totalmente adaptada às leis do país.

Lessig


Com uma licença Creative Commons os artistas decidem como, onde, e por quem seus trabalhos podem ser distribuídos, modificados e recriados sem depender de intermediários como gravadoras - que na maioria das vezes ainda se encontram completamente despreparadas para trabalhar na atual realidade em que vivemos.

"É hora de pôr em prática aquilo que vocês pregam: compartilhem, modifiquem, remixem, misturem. Lutem contra organizações que se dizem 'a favor dos artistas' mas que na verdade estão atrás de outros interesses. Faça com que elas entendam que é preciso para de tratar esses artistas como bebês e dar a eles a chance de eles mesmos decidirem como seu trabalho será usado". Nem é preciso dizer que ele foi recebido com uma enorme salva de palmas.


Games e robôs que fizeram sucesso na Campus Party

As filas enormes na frente de alguns stands já denunciavam: jogadores se amontoavam para conseguir uma chance de testar alguns dos games mais legais em exposição na CP. Um dos que fazia o maior sucesso era o Headbang Hero, que transformava o jogador num metaleiro daqueles que a gente só encontra em shows do Ozzy Osbourne e Iron Maiden. Através de uma peruca (sim, uma peruca de cabelos longos) recheada com sensores de movimento, o jogador tem que balançar a juba de acordo com a música, como se realmente estivesse num festival de rock, enquanto marca pontos. Completamente divertido.



Outra boa opção foi o Wii Spray, um sensor que através do wii mote se transforma numa lata de spray e te faz liberar o grafiteiro que existe dentro de você - com a vantagem que a tinta nunca acaba e você não corre o risco de ser preso.



Pra criançada o hit era o robô-elefante Probo, capaz de interpretar seus sentimentos e reagir de acordo com eles. Através de sensores, inteligência artificial e realidade aumentada, o robozinho é voltado para crianças que sofrem de doenças graves e passam muito tempo dentro de hospitais sem muita companhia. Uma ideia genial!



Marcelo Tas e os quilombolas

Marcelo TasUm descontraído bate-papo entre Marcelo Tas e representantes de comunidades indígenas que estão explorando a Internet de maneira extremamente eficaz, reunindo tribos e preservando sua cultura e conhecimento através da rede, aconteceu no terceiro dia do evento e foi marcado por uma situação polêmica e curiosa.

Sentado num palco patrocinado pela Telefonica, um dos participantes (Anápuáka, do Projeto Web Brasil Indígena) vestia uma camiseta com os dizeres "Telefonei, Não Paguei, e Protestei!" e falou sobre seu projeto de levar orelhões VoIP (que permitem fazer ligações gratuítas para 55 países do mundo inteiro) para aldeias distantes, segundo o princípio de que "Orelhão democrático para todos, assim como a Internet também deve ser!"

Já Marcelo Tas falou sobre as eleições brasileiras deste ano, que contam pela primeira vez com a propaganda política liberada via Internet. "Com certeza, pela primeira vez na história, a enorme quantidade de internautas vai fazer os ponteiros das pesquisas eleitorais balançarem muito. Cabe a cada um de nós nos engajarmos e expormos nossa opinião. Só depende de nós!", declarou - citando inclusive que devemos tomar cuidado com políticos que dizem que a propaganda livre na Internet foi "obra deles", uma vez que "a Internet é e sempre foi livre. O que existe de obra deles são tentativas de censurá-la, tais como o AI-5 do do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG)". Por isso, olho vivo em quem você deposita o seu voto.

Alisson Gøthz
Alisson Gøthz
www.twitter.com/alissongothzzzz
comentários
2 comentários
God-Dog
God-Dog(02.02.10)
1AprovadoQueima
Creative Commons adaptado ao Brasil. Que excelente noticia.
fueloop
fueloop(02.02.10)
1AprovadoQueima
...acompanhei quase tudo e achei esta edição ainda mais a nossa cara, um grande avanço para o publico brasileiro essa campus party 2010.

Otimo review Alisson Gothz

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