Para quem não acompanhou a
ótima resenha do
Record Club que pintou há algum tempo aqui no rraurl, o projeto funciona da seguinte forma: o malucão
Beck convida colegas e amigos (como
Devendra Banhart, Feist,
Jamie Lidell e Nigel Godrich) para gravarem um disco representativo de alguma outra banda em apenas um dia.
Com um clima de jam session descompromissada, o Record Club já re-arranjou clássicos como
The Velvet Underground and Nico e
Songs of Leonard Cohen, com resultados nem sempre excepcionais, mas incontestavelmente divertidos.
Com o impressionante currículo de Beck e um recente sucesso no papel de produtor do
último disco da francesa
Charlotte Gainsbourg, não deve ser difícil para o cara encontrar gente disposta a participar da brincadeira. Mas Beck deve estar gostando mesmo de bancar o produtor e para o próximo capítulo do projeto Record Club escalou St Vincent, Liars e, pasmem, Os Mutantes. Quem informa é
o Pitchfork. Tá certo, então!
A face delicada e voz adocicada de Annie Clark não deixam transparecer que a moça é na verdade um monstro na guitarra. Antes do projeto solo
St Vincent, a moça foi guitarrista da banda
Polyphonic Spree e acompanhou o músico folk Sufjan Stevens. No ano passado, Annie lançou seu segundo LP, intitulado
Actor, e circulou pelo mundo como uma das vozes femininas mais ativas do indie rock.
Já os rapazes do
Liars se tornaram famosos lá no início dos anos 2000 por fazer um tipo específicamente barulhento de rock. O disco
They Threw Us All in a Trench and Stuck a Monument on Top, lançado em 2001, é até hoje citado em muitas das mal-faladas listas de melhores da década e vale audição. A banda voltou ao holofotes após 3 anos de silêncio com o recente lançamento de
Sisterworld, onde mostra uma sonoridade mais contida e quase monolítica.
A terceira parte desse clube, os Mutantes, é a mais inusitada mas não exatamente surpreendente. Beck já declarou inúmeras vezes seu amor incondicional pelo grupo paulistano, que por sua vez já reconheceram Beck como um talento nato. De certa forma, parece quase natural que em algum momento esse encontro se materializasse.
O disco a ser re-criado ainda não foi anunciado, porém isso não importa muito. Se analisarmos de forma fria, com convidados tão diferentes entre si fica um pouco difícil de imaginar o resultado. Mas talvez o propósito do Record Club seja muito mais aproximar Beck dos músicos que ele admira do que produzir musicas impecáveis. Ele se diverte e a gente também. Os resultados estarão disponíveis no site de Beck próximamente.