Quando o americano Miller Brakes, 24 anos, não se ocupa trabalhando como zelador do
Earthplace de
Westport, em Connecticut (onde remove árvores mortas do caminho dos visitantes), ele pinta, compõe música eletrônica e
produz vídeos. É dele a cabeça perturbada por trás das colagens com filmes bagaceiros vistas nos clipes do americano
Tobacco (ou Tom Fec, líder do
Black Moth Super Rainbow).
Brakes diz que o personagem
Father Longlegs foi criado num período conturbado de sua vida: "Eu estava enlouquecendo, sentia uma energia monstruosa na Terra, escondida a puta porque eu sabia que ela estava à espreita", diz o videomaker. "Usei o nome porque pernilongos [ou 'daddy longlegs', com os quais ele convive diariamente no Earthplace] também são invisíveis, com aquelas pernas finíssimas."
Em seu porão, além de editar fitas VHS achadas numa viagem a Nova York, Brakes também filma algumas das cenas. A câmera, uma Sony fabricada em 1988, foi comprada no eBay há cinco anos. "Basta bagunçar o contraste até ficar perfeito." (Ele não cobra nada das bandas para produzir os clipes.)
Como produtor de música eletrônica, Father Longlegs também se interessa em equipamento analógico. De seus três teclados poeirentos (um
Roland SH-1000, um
Octave the Cat e um
Roland Juno-106) vem um hip-hop intergalático, granulado. Em agosto sai o primeiro EP, Interfalactic Double Dutch. O americano planeja que ele soe como se "duas garotas estivessem pulando corda e, de repente, abrisse um buraco-negro ao lado delas".