Kanye West - 808s & Heartbreak
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ficha técnica
Nota: 2 / 5
Ano: 2008
Selo: Roc-A-Fella, Island Def Jam
Estilos: electro-pop, rap,r'n'b
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Kanye West - 808s & Heartbreak
Rapper decide virar cantor e pede ajuda ao auto-tune para segurar as notas
22.01.09 10:05
Auto-tune é um plug-in que "corrige" as notas de um vocal (saiba mais). Vem sendo usado de uns tempos para cá, sem a menor parcimônia, por multidões de artistas no pop, rock, R&B, hip hop e dance music. O Auto-Tune processa uma voz e toda vez que ela se distancia de uma nota (ou seja, desafina), o plug-in a traz de volta, resultando naquele efeito "tremido" ("LooAooAve YouIu"). Muitos usam o Auto-Tune na moita, pra efeito corretivo mesmo, mas na arena pop o que tem se buscado (e muito) é também o efeito.

Ligue a Jovem Pan e ouça aqueles electro-dance bagaceiros com vocais tremidos. Esses vocais tem Auto-Tune. Ouça o, erm, "clássico" da Cher, "Believe", a primeira faixa a usar o Auto-Tune. Ouça T-Pain, Lil Wayne, Akon e Chris Brown.

E ouça o novo álbum do Kanye West. Qualquer faixa, aleatoriamente. Sim, porque das 12 faixas, 11 vem com o bendito Auto-Tune aplicado nelas. A exceção é "Pinocchio", ao vivo. E é aí que se entende o porquê de usar tanto processamento vocal, a ponto de enjoar o ouvinte. Kanye não é cantor, é rapper. Quando ele tira a maquiagem eletrônica, sua voz é limitada e sem cor.

A tecnologia também é homenageada no título do disco, "808s & Heartbreaks", uma referência à bateria eletrônica Roland 808, trazida à black music por Afrika Bambaataa em "Planet Rock" e uma presença constante no eixo soul/hip hop/funk/R&B desde então.

I'm heartbroken y'all!!
I'm heartbroken y'all!!
DECEPÇÃO NO AMOR
Resolvida a questão dos gadgets do menino exibicionista, finalmente chegamos ao elemento humano que motiva o disco: a decepção amorosa. Kanye se separou de sua noiva, Alexis Phifer, ano passado, e resolveu gravar um disco baseado nisso. Sim, o bem-sucedido rapper, milionário e todo-poderoso, está vulnerável, chateado, e quer dividir isso com o público. Intenção louvável, ainda mais vinda de um meio de machões e bravateiros.

É então que Kanye mostra como um cara que pensa que é "o presente de Deus para o mundo" (como diziam as Salt''N'Pepa em "Tramp") lida com a questão da separação. Momento de humildade? Pausa para auto-reflexão? Hora de baixar a bola do ego? Nada disso.

Teria sido uma boa ideia tirar algumas lições de um precedente exemplar na soul music. O álbum Here, My Dear, de Marvin Gaye, composto depois de um amargo divórcio de sua esposa Anna Ruby Gordy (e põe amargo nisso. A renda do disco, segundo decisão judicial, teria que ser todo destinado à ex).

Além de ir fundo na auto-análise, Marvin Gaye nunca perde a elegância (e o álbum é excelente). Coisa que Kanye, obcecado em ostentar ícones materiais, imagina que se adquire automaticamente na hora de usar Louis Vuitton ou Tommy Hilfiger.

Enquanto Marvin questiona "quando foi que você deixou de me amar, quando foi que eu deixei de te amar" ("When did you stop loving me? When did I stop loving you?"), Kanye tem certeza que a culpa foi da outra parte: "Você quer matar a vibe, em outra noite, mais uma briga, aqui vamos nós" ("Anyway").

ART WINS!!!!!!!111
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Para Kanye, ela vai se arrepender pelo que fez: "Espere dois meses e você vai ver, não vai achar ninguém melhor do que eu" ("Heartless"). Marvin Gaye consegue ser bem mais digno na hora de desejar algo para a ex-mulher: "Que o amor lhe possua, que a paz entre em sua vida" ("Here, My Dear").

E ao passo que o soulman das antigas dá aula de finesse e admite "coisas que fazemos por despeito que depois nos envergonham" ("Anger"), o auto-intitulado "melhor artista dessa geração" dá piti dizendo que "É tudo por sua causa, você pensa que sua merda não fede" ("Tell Everyboy That You Know").

Afortunados aqueles que conseguem transformar sua dor em arte. Lamentáveis aqueles que conseguem transformar até mesmo seu sofrimento em auto-glorificação. Com direito a muito papel de vítima. E chororô derramado ("Say You Will" tem um quê de "Lady In Red", do Chris De Burgh).

Faltou falar da produção, sempre excelente: instrumental top de linha, eletro-pop aerodinâmico com os timbres certos, synths sofisticados e beats sólidos. Sem as letras, sem o egocentrismo, sem o Auto-Tune, teria sido um grande álbum.
MP3
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Kanye West - Say You Will (mp3)

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Kanye West - Heartless (mp3)

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Kanye West - Love Lockdown (final) (mp3)

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Kanye West - Any Way, Anyway (Feat. Kid Cudi) (mp3)


Camilo Rocha
Camilo Rocha
Putz! Putz!
comentários
13 comentários
kaks
kaks(26.01.09)
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quem elevou o hip hop a um patamar realmente diferente foi snoop dogg no ano passado com sua incrível "sensual seduction". o clipe dessa música por sinal é dos melhores de 2008. falar que kanye reinventou o hip hop enquanto ele está falando que é o melhor do mundo, a estrela desse planeta, o novo elvis... ser fã é uma coisa, ser cego é outra
Cristiane Giamas
1AprovadoQueima
o album é incrivel , ele conseguiu levar o hip hop à modernidade e ainda dando uma de lover boy ao estilo do LL Cool J. eu amei esse cd, realmente leva o hip hop para um outro patamar, o kanye é um visionário! ARRASOU!
HD
HD(24.01.09)
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Kanye eh perfeito!!!!

HD
Roberto Wingle
Roberto Wingle(24.01.09)
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Marvin Gaye é Marvin Gaye,maravilhoso,incomparavel!
kanye west é um fanfarrão,como escreveu o Kaks.
Tira onda só pra polemizar,pq ele é bem liberal,ao contrario da maioria dos rappers
Gostei muito do album,auto-tune é o maximo!
vc tbm é joia,Camilo!haha

Bom, se o cara É o melhor rapper da atualidade, que mal o proprio afirmar isso ?

Kanye é foda.