O Futuro da Música Depois da Morte do CD é o nome do livro lançado durante a última
Campus Party em São Paulo, e que se propõe a discutir o impacto que as redes digitais causam nos processos de criação e distribuição da música nos tempos de hoje.
O livro pode ser
baixado gratuitamente sob uma
licença Creative Commons, o que faz valer ainda mais o esforço que o sociólogo Sergio Amadeu e o jornalista cultural Irineu Franco Perpetuo tiveram em reunir treze artigos escritos por 16 autores diversos, discutindo entre outros assuntos as novas formas de lei de copyright e a livre troca de informações.
Tais autores vem de campos bastante diferentes: sociologia, engenharia de produção, músicos e antropólogos, porém todos se montam seus comentários em cima do inevitável novo rumo que o universo da música está levando, graças principalmente às mudanças que a Internet, as redes sociais, a livre troca de informação e a digitalização de bens culturais estão promovendo. Nem tudo é pura teoria "cabeça" nos artigos, que buscam aliar o pensamento analítico e bases teóricas com a prática da produção musical no dia a dia.
O DIGITAL NÃO É UM SIMPLES NOVO FORMATONa introdução Irineu explica bem a "morte do CD" a qual o título do livro se refere, sugerindo que não se trata de uma simples substituição de formatos de distribuição musical, assim como o vinil foi trocado pelos compact discs.
"Fala-se muito no crescimento das vendas de música digital; porém, o que parece estar em questão, aqui, é menos o CD como suporte físico do que sua condição de protagonista e sujeito único da difusão de música no planeta. É nesse sentido que nos soa legítimo falar na "morte" do CD. Porque talvez não estejamos simplesmente diante de mais um período de substituição de formatos, em que o CD, depois de tomar a primazia do vinil, estaria cedendo seu lugar ao, digamos, MP3. O cenário atual parece consideravelmente mais complexo, colocando em xeque o próprio paradigma de circulação global de bens culturais. Pois, se, com o CD, digitalizou-se o som gravado, hoje em dia, é todo o acervo cultural da humanidade que se encontra em vias de estar digitalizado, na Internet."

Entre os artigos de maior destaque está o entitulado "O CD morreu? Viva o Vinil!" escrito por Simone Pereira de Sá, que discute não só o fetiche que algumas pessoas (ainda) tem pelo vinil, mas também entra na velha discussão sempre presente no universo dos DJs sobre como "DJ que usa CD não é DJ de verdade."
"Os
DJs defendem o toca-discos enfatizando, primeiramente, a "segurança" das mixagens, que podem ser feitas diretamente com a mão sobre o disco, sem depender de um software, o que se liga à questão da técnica do DJ, à "qualidade" do som e à "beleza" da imagem do DJ que manipula um toca-discos na pista de dança", ela escreve.
Já o texto "O MP3 e o fim da ditadura do álbum comercial", de Alice Tomaz de Carvalho e Riverson Rios, vai fundo na discussão sobre o MP3 como o estopim das mudanças na indústria musical.
"O MP3 vem mudando bastante a forma de se lidar com as canções. A partir desse formato digital, o consumo de músicas dentro de um álbum está sendo substituído pela preferência por um consumo por unidade. Em outras palavras, as pessoas parecem não querer mais ter de pagar por uma sequência de canções imposta previamente, como acontece em um CD, representando assim uma negação à ditadura do álbum comercial.(...) Por meio do MP3, cada pessoa pode fazer quantos álbuns quiser na ordem desejada, além de poder reeditá-los e compartilhá-los livremente. Afinal, nenhuma ditadura pode durar para sempre..."
AOS FUTUROLOGISTAS...Num dos últimos textos do livro, o produtor brasileiro Pena Schimidt faz uma previsão sobre o que há por vir no mundo da música: "um dia, os artistas e o público irão se acostumar com outra lógica, na qual a carreira de um artista não será mais a sua carreira fonográfica, pois haverá outros marcos no percurso. A Wikipédia vai achar outro modo de organizar os fatos na vida de um artista de sucesso sem ser pela discografia. Talvez o mundo pop tenha pressa em ser clássico e de domínio público. E a pergunta certa será feita: o que será da música que eu faço?"
O Futuro da Música Depois da Morte do CD pode ser baixado em formato pdf no endereço
http://www.futurodamusica.com.br/
É para se pensar ou será repensar.
O que será observado na carreira de um artista daqui 10 ou 20 anos???
Bela indagação! (2)
O que será observado na carreira de um artista daqui 10 ou 20 anos???
Bela indagação!