Uma semana em Santiago (Chile)
Sua Alteza Debbie Harry
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Ano: 2009
Estilos: pop, rock, eletronico
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Uma semana em Santiago (Chile)
Capital chilena se confirma como nova parada obrigatória de bandas internacionais.
06.04.09 13:45
 
Pouco a pouco a cidade de Santiago no Chile vem se tornando um dos principais pontos culturais da América Latina e, principalmente, uma parada quase que obrigatória para artistas internacionais que vem para cá. Seja grandes figurões como Madonna e Radiohead ou pequenos projetos de música eletrônica, a maioria deles só confirma turnês no Brasil quando já tem alguma data prevista na capital chilena - posto privilegiado que até pouco tempo atrás era ocupado por Buenos Aires.

Um dos fatores que talvez mais colabore para isso seja o próprio público chileno - que lota todos os shows - e também a proximidade à países como Peru e Bolívia, que raramente recebem este tipo de atração. Na última semana, este que vos escreve esteve na cidade para conferir uma maratona de shows que deixaria cansado até mesmo o mais inveterado fã.

E se você reclama do encavalamento de festivais que acontecem em São Paulo na mesma época durante o segundo semestre, se prepare: em apenas uma semana (entre os dias 26/mar e 03/abril), passaram por Santiago nomes como Radiohead, Kraftwerk, Blondie, Peter Gabriel, Chris Cornell, Mike Patton, A-Ha, Sonic Youth, The National, Kiss e... Rick Astley. Com exceção do show do Kraftwerk e do Radiohead, todos os outros que seguiram durante a semana fizeram parte do Pepsi Fest, mega festival ( o maior ja realizado no país) patrocinado pela marca de refrigerantes. A maioria deles estava com ingressos esgotados. E eu, como não tenho mais dezoito anos, escolhi apenas alguns.

THOM YORKE DANDO PITI NO PALCO E KRAFT TRAVANDO
Enquanto em termos de organização Santiago deu um baile nos shows que rolaram em São Paulo e Rio de Janeiro (vamos combinar que não precisava muito pra conseguir isso, mas lá a coisa realmente surpreendeu), os show do Kraftwerk + Radiohead acabaram sendo melhores aqui, principalmente por causa de problemas técnicos.

O Kraftwerk apresentou um show quase idêntico ao daqui, alterado apenas com a inclusão de "Showroom Dummies" cantada em espanhol. Infelizmente o computador de Ralf Hutter por três vezes deu pane e ficou travado (era um VAIO), por sorte sempre nos intervalos das músicas. Mas ao contrário do que aconteceu aqui, o Kraftwerk encontrou um público muito mais receptivo ao seu som, com muita gente cantando e dançando seus clássicos eletrônicos, mostrando o respeito que a banda merece.

radiohead


Mas quem deu piti mesmo foi Thom Yorke, que na terceira música parou de cantar e ficou olhando pro público com os braços cruzados - para se retirar logo depois, visivelmente irritado. Ficou a cargo do guitarrista Ed O'Brien explicar ao público o que estava acontecendo (era um problema técnico nos monitores de Yorke) e esta pausa se prolongou por mais de cinco minutos. A impresão que dava é que Thom estava praticamente arrumando suas malas para ir embora do estádio naquela hora, até que foi convencido a voltar graças ao clamor do público.

O set list também foi idêntico ao do Brasil, misturando momentos de pura redenção como "Karma Police" e "Idioteque", deslumbramento ("Paranoid Android", "Everything in It's Right Place") e o final apoteótico com "Creep" - com um Thom Yorke já bem mais animado e feliz.

DEBBIE HARRY CONTINUA LINDA...

No dia seguinte, foi a vez da "festa 80" dar as caras na excelente Movistar Arena, com os shows do Blondie, A-ha e Rick Astley. Com casa lotada, o Blondie entrou no palco as oito e meia da noite com a diva absoluta Debbie Harry de tubinho preto e cabelo a la Marilyn Monroe, esbanjando carisma. Sua voz ao vivo é completamente intoxicante, e muita gente (como eu) não estava acreditando que ela estava ali a tão poucos metros de distância.

blondie


No setlist do show foram incluídos só os maiores clássicos da banda, indo de "Hanging on The Telephone" à "Maria", passando por "Atomic", "Call Me", "Rapture", "One Way Or Another" e, é claro, "Heart of Glass". Um show histórico, para dizer o mínimo - e que infelizmente só foi visto por lá.

Mas que o Blondie faria uma apresentação incrível todos já sabiam. Quem surpreendeu mesmo foi o canastrão Rick Astley, que lotou a arena com senhoras de meia idade enlouquecidas com o cantor e que sabiam de cor e salteado todas as suas músicas - uma delas era tão eufórica que inclusive foi convidada pelo próprio Rick a subir no palco e cantar uma música com ele.

O show de Astley tem cara de show em cassino de Las Vegas, com ele bancando o crooner sedutor o tempo todo. Mas sua voz é poderosa e enche todo o lugar, derretendo os corações das senhoras desoladas que ainda cantam "Together Forever" no chuveiro. Um dos shows mais divertidos que já vi até hoje!

Já o A-Ha fechou a noite com um show apenas OK, com o vocalista Morten Harket paradão no meio do palco, cantando quase sempre olhando para o chão. O clima do show do A-Ha é mais de contemplação do que de fervo, como foi o do Blondie e do Rick Astley. Mas a força de hits como "Hunting High and Low", "Stay On These Roads" e obviamente "Take on Me" fizeram a apresentação valer a pena.

a-ha


O SHOW QUE O BRASIL NÃO VIU
Os aguardadíssimos Sonic Youth - que injustamente não vieram ao Brasil - colocaram fogo no domingo seguinte na mesma Movistar Arena com seu rock visceral que obriga - ou melhor, ordena - todo mundo a dançar. A banda continua em perfeita sintonia e sabe muito bem o que fazer em cima do palco. O desfile de hits emendados á faixas só conhecidas mesmo por fãs mais radicais, além de claro todo o experimentalismo ruidoso do grupo só ajudam a colocar a banda de Thurston Moore como uma das mais importantes do nosso tempo. Como se isso não bastasse, os fãs mais hardcore ganharam um presentão e se moveram até a cidade de Val Paraíso um dia antes para encontrar Lee Ranaldo (vocalista e guitarrista da banda) apresentando um pocket show solo no clube Ex Carcel.

Sonic Youth


"Teenage Riot", "Bull In The Heather", "Incinerate", "100%", "Kool Thing", "The Burning Spear", "Cross The Breeze", "Hey Joni", "Schizophrenia", "Shaking Hell", "Expressway to Yr Skull"... estavam todas lá, reunidas, num show que se tivesse durado cinco horas ainda assim não teria feito ninguém bocejar. Algumas inéditas que sairão no aguardado próximo disco (que vem ainda este ano), como "Sacred Trickster" e "Calming the Snake" também não deixaram vivos pra contar história.

Final do show, hora de ir embora e deixar os pés de molho em sal grosso.

DICAS DE SANTIAGO
As passagens aéreas mais baratas são da companhia GOL, mas por cem reais a mais você consegue voar pela LAN com muito mais conforto e qualidade. Pra ficar, o melhor lugar é o Andes Hostel, que tem ótimas acomodações e localização excelente: fica de frente a uma estação do metrô (que te leva pra todo canto) e bem no centro da cidade. Dá pra ir andando a muitos pontos turísticos. Inclua na viagem uma passadinha por Val Paraíso - o famoso litoral chileno - que fica a pouco mais de uma hora de lá e é facinho de chegar: dá pra sair de Santiago de manhã e voltar no final da tarde. Santiago tem um clube que é um misto de Glória com A Lôca com D-Edge chamado Blondie, que vale uma visita. Sobre o dinheiro, é melhor viajar com dólares nas mãos (o aeroporto tem várias casas de câmbio) e cartão Visa. E não esqueça de se livrar de todos os pesos chilenos antes de voltar pra cá: aqui no Brasil é quase impossível achar um lugar para trocá-los! O "rraurl do Chile" é o site www.potq.cl

Alisson Gøthz
Alisson Gøthz
www.twitter.com/alissongothzzzz
comentários
6 comentários
Psycho
Psycho(08.04.09)
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Transpiro I N V E J A por todos os poros do meu corpo.
Fabio Martins
Fabio Martins(08.04.09)
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@SL: além de o Brasil engolir mosca direto quanto a shows que passam batidos daqui e rolam no Chile, na Argentina e até msm no Peru e no Equador, o público brasileiro paga muito caro por uma estrutura de merda, onde a platéia é tratada como gado indo pro abate. Infelizmente a infame Lei de Gerson impera por aqui, é um "traço" cultural nojento que o brasileiro cultiva e alimenta, mesmo que inconscientemente. Os promotores de evento pensam: se tem uma turba de otários esgotando ingressos p/ lotar um curral humano, pra quê vamos nos preocupar em dar o mínimo de conforto pra essa galera? Ainda bem que está havendo uma luz no fim do túnel, acendida justamente pela imprensa, pois a mesma tem o poder de estimular o debate na esfera das massas, pois o cidadão brasileiro, por mais ciente que esteja da situação, é passivo em demasia, e pouco fará para fazer valer seus direitos.
ZEZE
ZEZE(08.04.09)
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tá!
SL
SL(07.04.09)
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Opa...Faltou.
Pra quem quiser encarar uma trip muito legal e com visual alucinante vá de Chile Bus, R$ 297,00. Ótimo serviço de bordo.
Cruzar a fronteira da Argentina com o Chile pelos andes foi maravilhoso e inesquecível. Eu fui de São Paulo até no norte do perú de onibus, cruzando o deserto do Atacama de taxi (nunca pegue um taxi peruano...rs). Só peguei avião para voltar do Perú. A passagem é muito mais barata de lah pra cá, e ainda fica com a volta :)
SL
SL(07.04.09)
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Sonic Youth pleaseeeeeeeee
Olha a lista de sons???
esse brasil é muito lixo mesmo...chega a ser ridículo.

O Chile todo é muito bom, melhor país da américa do sul com certeza.
Lugares lindos, gente educada, deserto q alucina (ainda mais qdo encontra o pacífico), ondas grandes, pesadas e tubulares, água gelada, muita pedra na base esperando um vacilão (faz parte) e muita coisa pra fazer. Pra quem curte esportes radicais é o point. Quem puder ir até o norte do país, vá até Iquique e Arica que vale muito a trip.
Espero retornar ainda em 2009.

Obs: Em Santiago indico o "hi santiago", um albergue bem legal pertinho do metro e da avenida brasil, baladas e bares por perto (alguns passos). Quem quiser tomar vinho, tequila e comer sashimi de salmão a preço de banana, informe-se sobre o BARE. Ótimo ambiente e música de qualidade.
Chile???????? No pasa nada!!! Buenaso compadre!!!