Projeto dos alemães Robert Henke e Torsten Pröfrock volta com EP recheado de batidas esféricas e bleeps polidos
Capaz de transformar em música os mais estéreis dos timbres, o produtor alemão Robert Henke volta com seu projeto
Monolake. Em
Atlas, EP que sucede
Plumbicon Versions (2006), ele e o conterrâneo Torsten Pröfrock (que se juntou ao bonde em 2004) satisfazem fãs de batidas esféricas e bleeps polidos com duas faixas, que somam pouco mais de 14 minutos.
O trabalho de Henke como desenvolvedor da empresa de softwares
Ableton parece refletir diretamente em seu trabalho como compositor (Gerhard Behles, cofundador do Monolake, deixou o projeto para se dedicar integralmente à companhia). Suas músicas desabrocham de sucessivas sobreposições de camadas instrumentais, onde pequenos fragmentos são organizados com precisão matemática. É som para ouvir no microscópio.

"Atlas" parte de uma singela frase de bateria quebrada que, aos poucos, encontra-se com sinetas e texturas saídas de algum filme de terror espacial. Até seu desfecho, é difícil contar quantas peças diferentes integram o conjunto, já que as samples entram e saem com delicadeza cirúrgica. Um descuido e pronto - aquela batida na qual você prestava atenção já não está mais lá.
CALIBRAGEM ARTESANALNas duas faixas, os instrumentos se revezam como os estampidos de uma engrenagem. Em "Titan", a temática sideral continua nos ecos intermináveis e nos timbres moldados em matéria estelar. Seja influência de seu parceiro (Pröfrock remixou, com o pseudônimo T++, "Death Is Not a Final", do produtor britânico de dubstep Shackleton) ou uma continuidade natural de seu trabalho como produtor de techno, o som de Robert Henke perdeu em dureza, mas ganhou em balanço.
ATOM (2007)
Além de engenheiro de softwares e músico, Henke também trabalha com performances.
Neste vídeo, é possível ver o resultado da colaboração dele com o artista alemão Christopher Bauder, batizada de Atom.
O Monolake está menos quadrado do que se ouvia em
Polygon_Cities (2005), mas não abandonou sua assinatura marcante. Como ninguém, Henke e Pröfrock continuam calibrando e arranjando sonoridades que, opacas à primeira vista, se tornam um poderoso conjunto de ideias em suas mãos.
Concordo com o @Tranquera o álbum é bom mas conheço nego que também cria texturas incriveis só com o Fruty Loops. Heheheh