Depeche Mode em Santiago (15/out)
faça login para votar!
Enviar esse texto
login para votar!
Enviar esse texto
  • Currently 5.00/5
Nota: 5.0 (1 voto)
login para votar!
ficha técnica
Nota: 3.7 / 5
Ano: 2009
Estilos: Synth-pop, rock, goth, 80s
social bookmarks
Digg
Mugg
del.icio.us
Depeche Mode em Santiago (15/out)
Direto do Chile, o show que o Brasil não viu: eternos ícones do synth-pop retornam em à América Latina em sua grandiosa "Tour of the Universe"
21.10.09 11:40

SANTIAGO: A devoção dos fãs em um país de povo ultrasimpático, em que o estrangeiro - principalmento rockstars internacionais - são tratados com carinho quase xenófilo. Estacionando sua megalômana "Tour of Universe" na capital chilena na última quinta-feira (15/out) após passar por Colômbia, Costa Rica (!), Peru e na sequência, Argentina, o Depeche Mode entregou um show apoteótico na medida da expectativa de seus fãs santiaguinos, que não viam a banda há 15 anos. Como você sabe, nada de Brasil, onde duas datas em RJ-SP foram canceladas por "problemas de logística".

Numa noite gelada e de ventania no amplo espaço do Club Hípico, equivalente em Santiago ao Jockey Club paulistano, os termômetros batiam nos 5ºC, temperatura que seguiu durante a noite semana afora. 45 mil pessoas lotaram - na real apertaram - o espaço dividido entre pista geral, arquibancada e a maldita pista VIP, que comprendia a área inteira frente ao palco até a mixhouse, deixando o pessoal do gargarejo da "cancha general" com visões apenas laterais, tanto na esquerda quanto na direita. Empurra-empurra, aperto, muito calor e algumas brigas marcaram o espaço mais democrático da pista, que custava 23 mil pesos (cerca de 100 reais), e era onde este que vos escreve estava.

Dave Gahan
Dave Gahan


O espetáculo começa pontualmente com um combo de faixas do novo álbum, o correto e áspero Sounds of Universe: "In Chains" apresenta o telão de narrativas constantes e contemplação visual, centralizados por um globo que servia de tela de projeções 3D. "Wrong", talvez a música com maior potencial de hit do Depeche desde "It's no Good" (1997), veio ainda preguiçosa e com a voz do empolgadíssimo e desmunhecado Dave Gahan um pouco desaquecida - a preocupação entre os chilenos era com um possível cancelamento, tendo em vista o ocorrido no Brasil, seus eternos problemas de saúde que vão de dores na perna a um tumor na bexiga ; fora o fato que poucos dias antes, após o show peruano, ele contraiu uma gripe seguida de amidalite.

UNA FIESTA DARK?
Numa multidão se dirigia ao show cantarolando clássicos antigos como "Enjoy the Silence" e "I Just Can't Get Enough", a novidadeira Depeche sem muito atrativo não fez a alegria, e gritos e alguma catarse de sucesso só surgiram de fato com o primeiro grande hit, a baladinha "Walking in My Shoes" que mostrou que sim, a voz de Dave Gahan é aquilo mesmo, enquanto um olho de réptil observava um lindo pássaro negro no telão. Por mais que a potencialidade rock do Depeche seja sempre empolgante e até mesmo dançante, sua verve goth é contemplativa e romântica, e era justamente assim que o público respondia.


Depeche Mode - Walking in My Shoes @ Santiago (15/out/09)

Em termos góticos, nada de morcegóvia no Chile: o público era diverso e democrático, como a própria carreira da banda é ao longo dessas décadas.
TRACKLIST
1. In Chains
2. Wrong
3. Hole to Feed
4. Walking in My Shoes
5. It's No Good
6. A Question of Time
7. Precious
8. Fly on the Windscreen
9. Jezebel
10. Home
11. Miles Away/The Truth Is
12. Policy of Truth
13. In Your Room
14. I Feel You
15. Enjoy the Silence
16. Never Let Me Down Again
BIS 1
17. Somebody
18. Stripped
19. Behind the Wheel
BIS 2
20. Personal Jesus
21. Waiting for the Night
Tiozinhos, modernosos, gente normal, jovens e quarentões que curtiram os anos 80, tinha de tudo. No palco, não dá para deixar de notar o avanço da idade entre seus integrantes. Apesar de Dave e Martin Gore comandarem as vozes com muito bom afinco, os anos são visíveis: um tecladista de apoio de Andrew Fletcher estava visivelmente entediado, e o baterista era um senhor já.

Ao fundo do telão muitos momentos de luzes em que os synths criavam aquela atmosfera alinhada do Kraftwerk, referência óbvia. E no outro paralelo está o grande ego do Depeche, que ainda lota estádios e leva a si mesmo muito a sério: da guitarra em forma de estrela (!) de Gore até o lenço preto com o qual Gahan dançava seus hinos, tudo ali é grandioso e mirao espaço sideral. Songs of faith and devotion, music for the masses que esbarram no limite do sarcasmo e um pouco da breguice.

E enquanto hitaços eram desenrolados nota a nota ("It's no Good", "A Question of Time" e "Fly on the Windscreen", que eu pessoalmente fiquei abismado - momento altíssimo do show), foi nas baladinhas cantadas por Martin Gore que o público chileno encontrou uma catarse definitivamente emotiva. "Jezebel" e "Home", em que meu sarcasmo foi embora com um jovem rapaz que llorava, llorava ao ponto de precisar ser amparado por seus amigos, provavelmente num mar de correntes e lembraças subjetivas que não me dizem respeito, mas que em sua expressão me tocaram e fizeram o momento ser lindo, coletivo e emotivo - sensação sempre especial num concerto.


Depeche Mode - Home @ Santiago (15/out/09)

Ao vivo percebe-se bem o equilíbrio entre as duas vozes da banda. Sozinho sobre os holofotes, Gore brilha, delicado. Mas é a potencialidade prepotente e sensual de Dave Gahan que dá a identidade da banda, ainda mais com seu parceiro cantante fazendo uma sempre essencial segunda voz. Não faltaram momentos de dancinhas, requebradas ambíguas sexualmente e luta com o pedestal do microfone, e assim surgiram momentos empolgantes e, dá para dizer, inesquecíveis: "In Your Room", "I Feel You", e ela, "Enjoy the Silence", em que a banda se retratava como astronautas de um mundo próprio de rock'n'roll sintético e nostálgico.

Martin Gore
Martin Gore
Na passagem do primeiro bis as canções deixam a burocracia e surgem mais espontâneas com o público reconhecendo cada riff inicial. "Never Let me Down Again" e, pasmem, "Stripped" (quem não se lembra delas!?!?) são despejadas na cabeça dos chilenos, bem cantadas, indo muito além de seus versos e refrões tornando-se uma pista de dança dark-EBM-synthrock. Tudo comandado por uma figura histórica, que por vezes não cantava o refrão de seus sucessos para ouvir o público cantar, segurava os bagos, derretia-se no chão em dancinhas amorosas e sim, tem aquela voz de "preacher" do inferno oitentista. Dave Gahan é o melhor do Depeche Mode: em sua voz, em sua história, no palco, nos seus versos abstratos de amor e ódio...

ANTICLIMAX
No bis final, em que a rifa de hits já estava aberta, não teve "Strangelove" (que tocou o dia inteiro nas rádios da cidade), nem outras como "People are People" (minha predileta),"Just Can't Get Enough", "Barrel of a Gun", e muitas etceteras. Surgiu "Personal Jesus", em que todo mundo acompanhou de Dave Gahan no telão imitando Jesus Cristo e guitarras que gritaram mais altos que o vocal em pegada blues. E o encerramento de fato veio com a insossa baladinha "Waiting for the Night", que ninguém deu muita bola e ficou aquela eterna sensação de querer mais, justamente depois que meio mundo veio abaixo cantando "REACH OUT AND TOUCH FAITH"...

O Depeche mexe com a alma de seus fiéis da maneira que quiser. Entrega as redenções necessárias e surpreende (de novo, exemplefico com "Fly on the Widescreen", com seu electrofunk pré-techno e poucas linhas de versos, sempre convidadtivas). Impressiona também pelas imagens e a capacidade de, ao contrário de muitos contemporâneos famosos (Duran Duran?), ainda conseguir manter sua grandiosidade e certa relevância.

Afinal, não é à toa e não é sem uma grande contribuição do Depeche que o sintetizador ainda é mote do pop eletrônico, mais de vinte anos depois. Fora que tamanhã fé é materializada neste Jesus Cristo gótico, Dave Gahan, que com seus caninos afiados canta a morte e o amor com a mesma força que sacode seu corpo, cansado, mas porém resistente. Até quando eles aguentam? Provavelmente muito mais tempo, muito mais hits e muito mais álbuns de grandiosa pretensão.

Fotos: latercera.com

EN LA PRENSA CHILENA
VEÍCULOS LOCAIS DESTACARAM A EXPECTATIVA DE ANOS DOS FÃS, OS HITS, O FRACO DISCO NOVO, PROBLEMAS NA ORGANIZAÇÃO E ATÉ JESUS LUZ...

Numa semana eufórica em que chilenos lotaram as ruas e exacerbaram o nacionalismo com a classificação do país para a Copa do Mundo 2010 - depois de três edições em participar do Mundial, a conquista do público pelo Depeche Mode parecia fácil, coisa de estádio. Mas a contemplação sonora rompeu os clichês e ufa, Dave Gahan não se enrolou na bandeira chilena.

Os jornais locais saudaram a banda e analisaram o show lembrando, em suas edições de sexta-feira, que o público chileno foi bem recebido pela banda - e vice-versa. o periódico conservador El Mercurio, o mais tradicional e influente do país, analisou o concerto como "uma obra lenta de maceração, algo difícil no começo para quem esperava os êxitos do grupo, mas gratificante para o espectador com paciência". O crítico Marcelo Contreras disse que Dave Gahan é um "crooner obscuro e provocador, que tem algo de Elvis em seus primeiros dias e de Mick Jagger em ebulição, ambíguo". Curiosidade: a resenha do show dividiu a página com um matéria anunciando a vinda de Jesus Luz (!) a Santiago. Humilde, ele teria pedido "apenas" uma mercedes preta, blindada, para tocar como DJ na inauguração da loja de roupas brasileira Colcci na cidade. Enfim...

Foi na web que geral reclamou do eterno drama das filas para entrar e sair de grandes shows...
Foi na web que geral reclamou do eterno drama das filas para entrar e sair de grandes shows...


O jornal La Tercera, apoiador da turnê, disse que Dave voltou para um show mais morno que 1994, com um "vocalista com mais tatuagens e mais marcas de reabilitações por vício em seu corpo". O crítico musical Mauricio Jürgensen focou na devoção dos fãs, pontuando como "o Depeche é uma dessas bandas históricas, definitivas, que hoje enfrentam o dilema da maturidade."

Na web, o Last.fm do show foi uma chuva de reclamações da "cancha VIP", da demorada procissão do público para ir embora do amplo Club Hípico e um comentário ou outro sobre o show. E o site Super45.net, equivalente ao rraurl no Chile, disse que o show de quinta foi aquele que alguns esperavam para "poder morrer tranquilo". E que, apesar dos sons industriais, "no cenário do palco eles são mais humanos do que parecem."

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
6 comentários
Leo Janeiro
Leo Janeiro(22.10.09)
0AprovadoQueima
Invejinha boa :0
Sensacional a cobertura !
Fabio Martins
Fabio Martins(21.10.09)
2AprovadoQueima
o cotovelo aqui tá latejando, rsrsrsrsrsrsrsrs... este show eu já estava até com passagens reservadas e foi cancelado. pra rolar outro DM aqui no Brasil acho que só daqui uns 10 anos e olhe lá. que merda...
daniel fuel
daniel fuel(21.10.09)
2AprovadoQueima
..ta rolando o link da apresentação em Bueno Aires:
Depeche Mode Live @ Personal Fest - Club Ciudad de Buenos Aires - Argentina [17-10-2009]
1.In Chains
2.Wrong
3.Hole To Feed
4.Walking In My Shoes
5.It's No Good
6.Question Of Time
7.Precious
8.Fly On The Windscreen
9.Jezebel
10.Home
11.Miles Away
12.Policy Of Truth
13.In Your Room
14.I Feel You
15.Enjoy
16.Never Let Me Down
17.Somebody
18.Stripped
19.Behind The Wheel (No fue transmitido)
20.Personal Jesus (No fue transmitido)
http://www.megaupload.com/?d=3UHSNG1B
God-Dog
God-Dog(21.10.09)
1AprovadoQueima
Adoooro esse videozinho que o blog ''Heat my Deck'' fez pra protestar o cancelamento do show deles aqui xD
http://www.youtube.com/watch?v=iGAN4gyQXLs&feature=player_embedded
daniel fuel
daniel fuel(21.10.09)
1AprovadoQueima
legal!