The Prodigy @ Via Funchal (SP - 23/out)
Keith Flint
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ficha técnica
Nota: 4.8 / 5
Ano: 2009
Estilos: Hardcore techno, Prodigy, punk, eletrônica
fotos
The Prodigy @ Via Funchal (São Paulo - 23/out)
26.10.09 10:50
The Prodigy @ Via Funchal (São Paulo - 23/out)
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The Prodigy @ Via Funchal (SP - 23/out)
Relato de uma banda que, quase 20 anos depois, ainda incedeia qualquer público
26.10.09 09:20
Como é bom ver uma banda querida e idolatrada transbordando vigor, quase 20 anos depois de seu surgimento. O Prodigy mostrou, sexta-feira no Via Funchal (SP), que ainda são os maiores firestarters da música eletrônica, que ainda são um dos live acts mais interessantes e esperados num palco. Graças ao fôlego do recente álbum Invaders Must Die - o melhor desde o histórico Fat of The Land, Keith Flint, Maxim, Liam Howlett e banda de apoio voltaram ao Brasil ovacionados, explodindo o público.

Após três apresentações de abertura (veja o box), o Prodigy entrou no palco às 23h40 para um show de menos de 90 minutos e setlist de 14 músicas, quase metade do álbum novo. Os hiteiros de plantão não podem reclamar, pois não faltaram amostras pontuais de cada faz exitosa do grupo de Essex (Reino Unido) - do raver Experience, até o insosso (injustiçado, para muitos) álbum Always Outnumbered, Never Outgunned (2004).



O palco tinha uma aura decadente, industrial, mistura de punk com squat mesmo e pequenos toques fluor (nos pedestais da parafernália de Liam Howlett e no microfone de Keith Flint). "World's on Fire" surgiu ensurdecedora por culpa do público, que ali no gargarejo (a malfadada área vip, onde a imprensa teve acesso) se descabelava, seguidos por todas as cerca de quatro mil pessoas que ocupavam o Via Funchal.

A catarse sonora foram entregues na sequência, após o público se acostumar com o corre-corre de Keith Flint, as caretas de loco de Maxim e Liam e os músicos empolgados. "Breathe" surgiu, anunciada, e trouxe 1997 de volta a São Paulo, de certo transtornando a mente de uma dezena de cybermanos vestidos a caráter. Um revés nesse momento foi a péssima qualidade de som bem ali na frente do palco: pouco se ouvia dos vocais (parecia não haver retorno, e o som saía ecoado para o alto, talvez pela proximidade das PAs). Por relatos de conhecidos, tal situação não se deu mais lá atrás, onde a visão ampla do stage proporcionava também um som mais límpido. Ficou a justiça para a galera da 'pista normal'.

TAKE ME TO THE HOSPITAL
E que bom também foi ver o público com a letra afiada, na ponta da língua, de todas as músicas do novo disco. A horda de fãs do Prodigy é algo estabelecido e, independente de épocas, grupos comportamentais e referências que a banda represente, o Prodigy será sempre seguido.
TRACKLIST

"World's On Fire"
"Breathe"
"Omen"
"Poison"
"Spitfire"
"Warrior's Dance"
"Firestarter"
"Run With The Wolves"
"Voodoo People"
"Invaders Must Die"
"Diesel Power"
"Smack My Bitch Up"
"Take Me to the Hospital"
"Out Of Space"
Em "Omem", Keith Flint alternava suas escarradas de água com uma certa comoção pela entrega do público; Maxim também, punks loucos que provocam mas também acolhem, gesticulando com toques no peito uma parceria indefectível com um público que já enfrentou palcos caindo, ataques do PCC e empurra-empurra caótico de Skol Beats para vê-los.

Em seguida "Poison" surgiu e a ordem foi pernas pra cima. Pulava-se muito, dançava-se com o joelho. O loop acid entortado e a batida num cáculo 3x3 próprio da banda traz tanta lembrança e tanta empolgação que foi obviamente um ponto alto da noite. O já quarentão Keith Flint aproveitou para andar escorado pelo povo da frente, como um Jesus desvirtuado andando por suas águas, escorado e louvado pelo seus fiéis, a se estapearem por um pouco do seu suor. Foda. Mais foda ainda quando o agito baixou e Liam + o baterista da franjona começaram a fazer um duelo de beats que pendeu para uma mistura de breakbeat e dubstep, mais contido, dançante e um pouco hipnótico. Keith flintou parou de pular e foi lá dançar, interagindo com ele, como seguiu fazendo a noite toda.

Outra infalível foi "Firestarter", em que Keith protagonizou sozinho o microfone naquela música que os fizeram famoso nos EUA e no restante do mundo. O break seguiu a imprevisibilidade de "Poison", alternando suas linhas conhecidas com improvisos de Liam em duelo com os instrumentistas. Intercalada por "Warrior's Dance" e "Run With the Wolves" (outras novas muito bem cantadas pelo público), "Firestarter" abriu a manada de hits para uma que, corrijam-me se for o caso, nunca havia sido tocado em SP: "Voodoo People", que chegou ninada por guitarras e lembrou um pouco o remix do Pendulum, mas não perdeu aquele seu paredão acelerado de batidas (aka pancadas) ritmadas por campainhas acid do inferno e seus breaks...

Àquela altura metade do público masculino, espantado e suado, já estavam sem camisa; seguranças estressados já tentavam mandar pra fora as pequenas rodinhas de fumante, garotos com suas mochilas dividiam o tempo entre segurar seus pertences e se embolar em confortáveis bate-cabeças que, pela lotação não tumultuada da casa, podia ser feito com espaço e ar para respirar. A essa altura também ficar descrevendo um show "explosivo" e de "catarse" é redundância, e é mais interessante lembrar de momentos particulares: "Diesel Power", para mim outra surpresa do line-up; a brincadeira de morto-vivo com o público em "Smack My Bitch Up", com Maxim mandando todos baixarem para aquela apreensão inicial da música, que estoura talvez no break/beat mais explosivo da banda (a faixa, aliás, veio 'editada', quase sem o seu mantra oriental).

O encerramento repetiu 2006 com "Out of Space" e seu fade-out de frequência sonora (o reggaezinho foi cantado em uníssono pela pista). Teve também "Take me to the Hospital", boa faixa de Invaders Must Die que faz ode à época hardcore techno da banda e foi um consolo para quem esperava talvez por um encerramento mais surpreendente, com "Charly" talvez? "Their Law"? "Jericho"?



Um show sensacional, que mostrou o Prodigy de sempre, afeito às suas origens, valente com o passar dos anos. Do mesmo modo seu público chegou até essa apresentação do Via Funchal: fiel, agora mais diversificado, e com a mesma pretensão a ser incendiado pela maior - talvez a única de fato - interpretação do punk na música eletrônica. Que venha o próximo disco, e a próxima turnê, que nós estaremos aqui!

OS SHOWS DE ABERTURA
DANIEL PEIXOTO, MIXHELL E DJ MARKY

Com o Via Funchal ainda vazio, a noite começou com Daniel Peixoto (ex-Montage) entrando no palco acompanhado do Killers on The Dancefloor e Da vocalista Barbarella para um show que, apesar do talento de todos ali em cima, não foi lá muito bem recebido pelo público. Com músicas conhecidas do Montage em nova roupagem e outras inéditas, o show dos meninos foi teria sido ótimo num lugar mais adequado (e menos homofóbico) mas não fez feio e foi um ótimo aquecimento para o Mixhell, este sim já com uma recepção muito mais amigável do público.

Iggor e sua mulher continuam do mesmo jeito, sem qualquer contato com o público, focados totalmente na música. Mas por vezes era possível ver pequenas trocas de sorrisos entre ambos quando a pista gritava. O show deles é intenso e pesado, com ótimas faixas que ganham ainda mais vida com a bateria tocada ao vivo por Iggor.

Quebrou tudo...
Quebrou tudo...


Mas a estrela da noite foi mesmo o DJ Marky, ele que também abriu para o Prodigy em 1999, e que desde a primeira música até o encerramento (com "Block Rockin Beats" do Chemical Brothers mixada com "Smells Like Teen Spirit" do Nirvana) foi completamente ovacionado por todos ali presentes no Via Funchal. Em tempos de Jesus Luz, só Deus sabe como é bom estarmos na frente de um DJ de verdade (e com todas as letras maiúsculas) quebrando tudo em cima do palco, tendo seu talento devidamente reconhecido. O Prodigy não poderia ter tido um melhor número de abertura.


Fotos: Bruno Mooca e Jade Gola

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
Alisson Gøthz
Alisson Gøthz
comentários
23 comentários
vj.Spetto
vj.Spetto(31.10.09)
1AprovadoQueima
Prodigy rulez.
http://www.youtube.com/watch?v=mPQFLGxM6xs
Zé Dito
Zé Dito(28.10.09)
1AprovadoQueima
Sei que a resenha é do Prodigy, e sobre isso resumo "apenas" com a mesma sensação de 2006/1999: FODA.

Agora, não tem como deixar passar batido uma questão muito bem levantada:

"Em tempos de Jesus Luz, só Deus sabe como é bom estarmos na frente de um DJ de verdade (e com todas as letras maiúsculas) quebrando tudo em cima do palco, tendo seu talento devidamente reconhecido."

Ótima resenha ;)
TAKE ME TO THE HOSPITAL
Porro
Porro(27.10.09)
1AprovadoQueima
o mais incrível é que as músicas novas te muito mais fôlego que as antigas. dance warriors, take me to the hospital e omem são muito foda ao vivo. show muito divertido e o som pra quem tava lá no fundo tava muito alto e muito bom. o que chega a ser engraçado já que quem pagou caro pelo VIP lá da frente pagou caro... vai entender essas pistas vip de hj em dia...
fueloop
fueloop(27.10.09)
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....tem gente xoxando o show do Daniel Montage, só porque é pop e "fresco", eu achei o maximo eles estarem no line, ja que a ideia era o revival do prodigy nada de mal em ter ele e o funhell, e outra todo, ninguem fala mal do funhell só pelo passado glorioso do Igor no Sepultura, quando na verdade a proposta é quase a mesma, a diferença é que o Igor é um puta musico, mais tão artista quanto.

Apoio o Daniel e foda esse povo hardcore do prodigy que tambem não vê que o som deles é super popular hj em diA, a diferença fica por conta do passado da banda, só!

..e o marky, foi xoxo? é porque se fosse a umtempo atras ( skol beats 2001) o povo ia ta tudo comentando, " nossa o marky destrui no DB, todo artista tem seu momento pop, e nem por isso pop foi!