
Se eu te recomendasse um álbum de uma dupla de cantoras chamada
The Watson Twins, qual seria sua reação? Resposta provável: desconfiança. E depois de olhar uma foto das duas, então? Sem ouvir o suposto álbum, dava pra chutar que se trata de uma dupla country dos cafundós das florestas do Kentucky.
Bom, Chandra e Leigh Watson nasceram em Louisville, Kentucky. São realmente gêmeas idênticas (como evidencia o nome) e, dando uma olhada nas fotos, dá a impressão que elas saíram de um filme de David Lynch. Já se chamaram Black Swan e mudaram a partir de seu álbum de estréia (
Southern Manners, de 2006). Alguém tratou de rotular o som das moças de
alt country e, teoricamente, elas dividiriam uma prateleira de CDs com nomes cultuados do country alternativo como Ryan Adams, Calexico e Wilco.
O álbum
Talking To You, Talking To Me sai agora em fevereiro e pode acabar com essa desconfiança inicial, porque o disco vai muito além do country/folk. Em "Modern Man", a faixa de abertura, já dá pra começar a entender porque: caixa e cimbal acelerados, baixo com vida própria e vocais que vão da sutileza à potência em menos de 5 segundos. A seguinte, "Harpeth River" tem andamento cadenciado de bateria e é carregada de uma dramaticidade que pode agradar em cheio os fãs do trip-hop de bandas como
Portishead e
Sneaker Pimps .
O clima de bar escuro e enfumaçado continua com a encantadora sutileza jazzística de "Forever Me" e o blues "Midnight", com seus dois arrepiantes minutos de solo de órgão Hammond B3 (que aparece memoravelmente também em "Devil In You"). Elas ainda cantam como um girl group sessentista no pop docinho de "Tell Me Why" ou como se fossem uma versão feminina de Roy Orbison em "U-N-Me". Para produzir
Talking To You, Talking To Me, as gêmeas juntaram-se a Russell Pollard e Soda J. da banda californiana Everest (link) e, depois de se isolar em uma cabana em Sierra Nevada por quatro dias em junho de 2009, finalizaram as demos que viriam a ser gravadas na Fairfax Recordings (link) de Los Angeles, na mesma mesa de mixagem de
The Wall do Pink Floyd. As referências são boas, a música é ótima. Estamos diante de uma das promessas do ano ou não?