Quinto álbum do coletivo inglês perde na intensidade, mas faz jus à discografia do projeto
21.02.10 19:20
Não há um único álbum do Massive Attack pelo qual se passe ileso numa audição. Uma das características de sua potente discografia (o primeiro trabalho, Blue Lines, saiu em 1991) é a força com que as músicas batem no ouvido e na alma, deixando em seu caminho um efeito de sufocamento, opressão... Só para citar uma que, entre muitas, é especialmente emblemática nesse aspecto para este ouvinte: "Angel", de Mezzanine (1998), uma canção que se arrasta sobre o peso de sua própria base instrumental abafada.
Ocorre o mesmo em Heligoland (o nome se refere a um conjunto de ilhas em território alemão), quinto álbum de inéditas da dupla de Bristol, lançado neste mês. Até as músicas com menos expressão provocam um clique mental, como se recusassem a cair no esquecimento rápido.
Os arranjos estão um pouco mais arejados, como se ouve em "Paradise Circus". Sua atmosfera é leve, embriagada... Os vocais de Hope Sandoval dançam junto a uma linha de baixo vagarosa, violinos e a notas agudas que lembram um xilofone. Ela fica acima da média de sensualidade do Massive Attack (e talvez por isso tenha ganhado um clipe tão legal). Levou também uma versão do paulistano Gui Boratto, que chega a ser mais inspirada que a original.
Massive Attack - Paradise Circus
Novamente, Robert Del Naja e Daddy G (ele está de volta após se afastar por 12 anos do projeto) orquestram um grupo de colaboradores em torno de arranjos lentos e viajantes, com melodias tão saborosas quanto intensas.
Temos a participação de Damon Albarn, do Blur (amigo de Robert, eles chegaram a dividir os custos de um anúncio contra a Guerra do Iraque veiculado na NME); Tunde Adebimpe, do TV on the Radio; Horace Andy, cantor jamaicano e colaborador de longa data, que já havia cantado em Mezzanine. A grande sacada é que, ao invés de soar como mais um daqueles álbuns infestados de colaborações que só servem para preencher linhas e chamar atenção, tudo aqui está bem amarrado.
Outra participação de Andy é em "Girl I Love", construída em torno de uma rajada de sintetizador que vai se transformando, revirando, distorcendo...
Em alguns momentos, Heligoland faz lembrar o retorno dos conterrâneos do Portishead em Third (2008). Os teclados de "Atlas Air" não se parecem com os de "Small" à toa - foram compostos pelo tecladista John Baggott, colaborador da banda de Beth Gibbons.
Massive Attack - Splitting the Atom
Os timbres de sintetizador de "Splitting the Atom" também viajam de volta aos anos 1960, mas com aquela roupagem soturna de Bristol. Sobrenaturais, os vocais de Daddy G cuidam para que a coisa soe ainda mais pesada e ameaçadora. (E "Rush Minute" não se parece muito com "Bela Lugosi Is Dead", do Bauhaus?)
Por mais que o impacto de Heligoland sobre o espírito não seja tão devastador quando o de outros trabalhos de Robert Naja e Daddy G, temos aqui um álbum que faz jus à discografia do Massive Attack por sua coesão e maturidade. É mais uma coletânea de faixas que convida o ouvinte a longas sessões de masoquismo sonoro e doce tortura psicológica - com a vantagem de não sobrar arrependimento.
É, o Massive Attack continua dando medo de tão bom.. Muito bom mesmo.
Ouvir todos os seus álbuns e em seguida os do Portishead, numa talagada só, é uma viagem (goodtrip) sem volta.
Os caras são mestres absolutos e o som ensina muita gente (que pode até chegar perto da sola dos pés do grupo, kkk) como Unkle, Burial, TV On The radio e Fever Ray.
concordo com o carlinhos... resposta pra sua pergunta : chemical brothers. no momento não lembro de nenhum outro. alias, tem album novo do chemical programado pra 2010.
Massive Attack divide o andar de cima com poucos, muito poucos. Abaixo, bem abaixo, vem todo o resto. Quem, desde os 90, vem mantendo essa regularidade de álbuns muito acima da média?
Ouvir todos os seus álbuns e em seguida os do Portishead, numa talagada só, é uma viagem (goodtrip) sem volta.
Os caras são mestres absolutos e o som ensina muita gente (que pode até chegar perto da sola dos pés do grupo, kkk) como Unkle, Burial, TV On The radio e Fever Ray.
resposta pra sua pergunta : chemical brothers.
no momento não lembro de nenhum outro.
alias, tem album novo do chemical programado pra 2010.
Singular, com sempre foi.
E um belo contraponto aos electros, synths e discos de ultimamente.