Jefferson Airplane - Surrealistic Pillow
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ficha técnica
Nota: 4.8 / 5
Ano: 1967
Selo: RCA Victor
Estilos: Rock, psicodelia, 60s, folk
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Jefferson Airplane - Surrealistic Pillow
Com a canção "White Rabbit", o verão do amor lisérgico e roqueiro dos anos sessenta foi um dos grandes cenários para a ilustração de "Alice No País das Maravilhas"
23.04.10 01:35
 
WHITE RABBIT
One pill makes you larger
And one pill makes you small
And the ones that mother gives you
Don't do anything at all
Go ask Alice
When she's ten feet tall
And if you go chasing rabbits
And you know you're going to fall
Tell 'em a hookah smoking caterpillar
Has given you the call
Call Alice
When she was just small
When men on the chessboard
Get up and tell you where to go
And you've just had some kind of mushroom
And your mind is moving slow
Go ask Alice
I think she'll know
When logic and proportion
Have fallen sloppy dead
And the White Knight is talking backwards
And the Red Queen's "off with her head!"
Remember what the dormouse said; Keep YOUR HEAD
Keep your head
Estreia esta semana no Brasil um dos filmes mais noticiados de véspera, a versão de Tim Burton para Alice no País das Maravilhas. Adaptação livre e nos moldes da Disney feita pelo diretor em sua estreia no estúdio, o filme causou um frisson tsunâmico sobre a história criada em 1865 pelo inglês Lewis Carroll. Adaptada como um clássico da animação infantil em 1951 também pela Disney, a história ganhou nos anos 60 uma associação forte com a era hippie e com os tempos da contracultura, principalmente por suaverve non-sense, misteriosa e lisérgica, sua história uma perfeita viagem de LSD.


O maior responsável por trazer a narrativa ao contexto lisérgico da época foi uma canção de 2 minutos e 33 segundos, "White Rabbit", cantada pela potente voz de Grace Slick em 1967, à frente da banda americana de rock Jefferson Airplane. Embalada por levada rítmica característica - uma hipnose inspirada pelo "Bolero" de Ravel, a canção foi sucesso imediato, prontamente associada à revolução comportamental e de percepção da mente que foi a disseminação do LSD na época, auge do 1º verão do amor norte-americano. A ligação é inevitável, já que a música começa pela narrativa de Alice tomando a pílula que a transporta para o mundo de maravilhas e assombros ("aquela pílula que sua mãe te dá / não faz efeito algum", ironiza a letra), mas não deve ser uma categorização definitiva sobre a canção.

Flash Content
Jefferson Airplane - White Rabbit (mp3)

Pois "White Rabbit" resume-se, acima de tudo, à sua beleza sublime. Até mesmo porque Grace Slick nunca foi abertamente uma militante do LSD: usava-se a droga, na época uma novidade ainda não proibida, e era isso. É uma canção eternizada como um dos maiores assombros criativos do rock do século 20 - até mesmo por análises conservadoras, como na observação de que "a canção foi a única coisa eterna que a cultura do LSD produziu", do livro 1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer.

"White Rabbit" e o Alice de Tim Burton se assemelham inicialmente pelo desafio de retratar a história: ambas são livres interpretações, que dividem leituras não exatas da história (como retratar a Rainha Vermelha como dona do jargão "cortem-lhe a Cabeça - off with your head", quando na verdade isto é fala da Rainha de Copas, na continuação da história). Publicada no auge do racionalismo vitoriano da Inglaterra, Alice foi uma libertação de padrões e bom-maneirismos no século 19 com sua história maluca, que satirizava costumes. Assim, assemelha-se à idéia de contracultura da música dos anos 60.

O filme de Tim Burton não é necessariamente revolucionário, e sua versão pode ser careta ao colocar Alice como uma guerreira feminista dentro dos infinitos chavões hollywoodianos. Mas o diretor antes de tudo é um cinegrafista visual, e com o advento do 3D o ideal é ir ao cinema por uma experiência visual - e surreal. Seria um paradoxo exigir verossimilhança e coerência na leitura de Alice, livro amado pela mente ingênua e pura de crianças, e estudado com misticismo e intelectualidade pelos adultos.

No filme que estreia agora, "White Rabbit" está presente na trilha-sonora, num cover bem honesto do grupo canadense Grace Potter and the Nocturnals, ouça.

Grace Slick e Marty Balin: supostos rivais que se revezavam a frente dos vocais da banda
Grace Slick e Marty Balin: supostos rivais que se revezavam a frente dos vocais da banda


O DISCO
A canção faz parte do álbum Surrealistic Pillow, lançado em 67 com a banda despontando como grande revelação de São Francisco. À época, o Jefferson Airplane apresentava com sucesso uma nova formação, que trazia o baterista de jazz Spencer Dryen e Grace Slick, antes compositora e intérprete do The Great Society, bandas que excursionavam juntos e se fundiram na dança das cadeiras de seus integrantes. Grace passou a cantar ao lado de Marty Balin - dizem que eram "rivais", ou a imprensa e/ou o misticismo em torno cunhou assim -, ora como protagonista, ora como auxílio vocal. "White Rabbit" e "Somebody to Love", o outro grande sucesso do disco, vieram de sua banda antiga e fundamentaram a formação do grupo por alguns anos.

Em termos "oficiais", "Somebody To Love" foi o maior sucesso, pois chegou ao 5º lugar da Billboard numa época que havia Diana Ross, Beatles, Rolling Stones, Frank Sinatra e The Monkees. Aqui o ritmo se dá pelo blues em colisão com um hard rock bem soft, com a lisergia aplicada sutilmente pelo vocal berrado e esticado de Grace. Assim como "White Rabbit", é uma música que foi regravada várias vezes, e eu que sou um pouco moleque lembro sempre da excelente versão que o Jim Carrey fez, na cena do karaokê daquele estranho filme O Pentelho (The Cable Guy).

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Jefferson Airplane - Somebody to Love (mp3)

De modo que a precisão pop do álbum é notável, em ambos os hits (o disco inteiro na real, a versatilidade é impressionante), e o Jefferson Airplane é um exemplo clássico do que se chamar de underrated: ou seja, consitentes, mas que não caíram no olho do furacão. A banda, por exemplo, teve mais sucesso nos charts que a icônica Janis Joplin, e, influência da maré pop, o som da banda gradativamente ganhou peso com a pressão do acid rock dos britânicos do Cream (a banda do Eric Clapton) e claro, Jimi Hendrix.

Provável que a banda seria uma espécie de semideus eterno do rock se Grace fosse uma junkie suicida. Mas ela vive até hoje, aposentada da música e com bons cabelos brancos. E nos tempos em que excursionaram com os bem-cotados do The Doors, estes roubavam a cena com os surtos no palco de um Jim Morrison, bem louco. Mas enfim, há espaço para todos, e o ditado let the music speak... vale aqui para o Jefferson, banda correta e de muito mérito.

Somebody to love - White rabbit (live at Woodstock)

SÁBADO, 16 DE AGOSTO DE 1969: O JEFFERSON AIRPLANE ENCERRA O GRANDE PALCO DO WOODSTOCK, HISTÓRICO FESTIVAL NO ESTADO DE NOVA YORK. A BANDA ENTRA JÁ AO AMANHECER, APÓS ATRASO DE OITO HORAS, ENCERRANDO UMA ORDEM DE SHOWS QUE TINHA GRATEFUL DEAD, JANIS JOPLIN, SLY & THE FAMILY STONE E THE WHO, ENTRE OUTROS. "AGORA VOCÊS VÃO VER MÚSICA MALUCA DA MANHÃ", DISSE GRACE SLICK, ANTES DE CANTAR A DOBRADINHA "SOMEBODY TO LOVE" E "WHITE RABBIT". REPARE NA REAÇÃO SURPRESA E INSPIRADA DELA AO FINAL.


O disco trouxe luz a ritmos bem comuns à Califórnia da época, como folk, o blues urbano e até mesmo o country do arenoso Estado americano, num ano em que o iê-iê-iê britânico e a negritude soul eram protagonistas. "My Best Friend" fala de seguir atrás dos sonhos com uma viola preguiçosa e o suingue discreto. Tem um bom jogo de vocais, com Marty em primeiro plano, Grace repetindo os versos em gemidos ao fundo, e os backing vocals entoando a letra como num coral. Folk, improvisado e divertido.

"Today" é outro destaque do álbum, uma baladinha inclassificável que narra o amor (e a vontade de amar, de declarar como o amor é inteiro, o todo), ninada por um bandeiro, um riff sonolento e Marty Balin fazendo jus ao sucesso que teve como cantor pop regional antes da banda. Uma canção de amor perfeita, de espumar o coração e fazer chorar. Outra balada é "How Do You Feel", que soa como o amanhecer caipira, adocicado por flautas e um leve ranço de Beatles que eu me pergunto se é contemporaneidade à banda, um zeitgeist inescapável da época, ou influência velada dos ingleses.

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Jefferson Airplane - Today (mp3)

"3,5 of a Mile in 10 Seconds", como diz a música, coloca a guitarra correndo atrás da veloz percussão, e um pandeiro que traz o boogie-woogie e toda a atmosfera 60s, que nos remete a flores, aquela tipografia colorida e cores, muitas cores, numa letra que fala sobre mulheres, vontade de aluguel barato numa tenda de circo (!), cigarros e os amigos locões que te entendem bem. A anarquia jam aqui é marcante, mas sem abstração e perda da noção como rola com o Grateful Dead - o Jefferson Airplane é mais polido, mas não menos sensual e revigorante.


Libertador, beatnik e rebelde, mas ao mesmo tempo introspectivo e humano. Surrealistic Pillow fez história e nos lembra como a cultura hippie foi (e sempre será) necessária. Por seu espírito puro, quase infantil, mas tão progressista, desafiador.

Não à toa Grace escreveu "White Rabbit" inspirada por lembranças de infância. Tanto o álbum quanto o conto de Lewis Carroll dividem uma criatividade espontânea e curiosa, que confrontam 1865 e 1967 com a representação da criatividade lúdica e do hedonismo. Conceitos que, deixando de lado as limitações da idade e das gerações, são na essência a mesma coisa.
MP3
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Jefferson Airplane - She Has Funny Cars (mp3)

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Jefferson Airplane - My Best Friend (mp3)

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Jefferson Airplane - 3,5 of a Mile in 10 Seconds (mp3)

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Jefferson Airplane - D.C.B.A. (mp3)

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Jefferson Airplane - How Do You Feel (mp3)


Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
11 comentários
Jefferson Airplane é maravilhoso, adoro. A versão em animaçao stop-motion q o Cauê Miranda comentou é realmente a melhor já feita! : - )
today me MATA.
Fábio Prado
Fábio Prado(25.04.10)
1AprovadoQueima
Uma das histórias mais louca e misteriosa que conheço...
"alice" 1988 de neco z alenky - versao mais psicodelica q ja vi, usando tecnicas diferentes de animacao, bem bizarro !

infos e dnld

http://langolierss.blogspot.com/2010/01/alice-neco-z-alenky1988.html
daniel fuel
daniel fuel(23.04.10)
1AprovadoQueima
...faz parte, do que é bom!

S2