A melancolia do National está de volta em seu quinto álbum, o brilhante High Violet. Trata-se de um disco cercado de grandes expectativas já que, em seus dez anos de carreira, o quinteto norte-americano de indie rock aperfeiçoou e expandiu sua sonoridade. O lançamento sutilmente redefine o som da banda, sem perder seu estilo, consolidando sua credibilidade.
The National é uma banda que estabelece uma espécie de relação cíclica e mutualística com o ouvinte: suas músicas compartilham sentimentos profundos, dando destaque para Matt Berninger, vocalista e compositor. As letras delicadas falam de relações pessoais deterioradas, de um jeito cativante.
Sua voz transmite emoção, apesar de ser monótona - é um barítono que parece muito cansado da vida para mirar uma nota alta, e isso traz honestidade aos versos. Também vale mencionar o ótimo baterista Brian Devendorf, que dá energia às canções e as empurra para a exuberância, quase competindo com as melodias vocais.
O debut homônimo do grupo foi um country-pop satisfatório, mas nada marcante, com arranjos demasiadamente homogêneos. O segundo álbum, Sad Songs for Dirty Lovers manteve a predominância das tonalidades country, mas expandiu sua sonoridade com o acréscimo de instrumentos, como violino e piano, além de alguns elementos eletrônicos.
Então, o National lança dois discos realmente bons, Alligator e Boxer, ambos recebidos com grande aclamação. Alligator concedeu à banda maior exposição. Era um indie rock jovem e impulsivo, com músicas sobre materialismo, sexo e solidão. Dessa vez, os instrumentos deram substância a cada faixa. Havia momentos otimistas, mas sua espinha dorsal era triste. Boxer revelou maturidade. Escuro, tinha a mesma intimidade dramática de seu antecessor, mas era mais contido. Foi um disco focado, ambicioso e fascinante.
High Violet não estabelece nenhuma mudança radical para o National, é somente o próximo passo natural que a sua música tomaria. A sensação é de que os integrantes estão seguindo uma trajetória de crescimento individual. Assim, o álbum é um selvagem e vívido romance que a banda faz de si mesma.
Não há uma música ruim no álbum. É fluido do início ao fim. Ao longo das 11 canções, o grupo constrói a beleza através das sombras com uma grandeza acessível. Berninger e seus companheiros injetaram adrenalina através da instrumentação, sem que vocalista tivesse que levantar a voz. As melodias vocais estão mais fortes, mesmo quando sussurradas. Os sons se misturam harmoniosos, elegantes. Há uma atitude diferente. "Terrible Love", a canção de abertura é ascendente e muito trabalhada, com diversas camadas sonoras. Irradia luz e calor. A primeira linha da belíssima "Sorrow" diz: "A tristeza me encontrou quando eu era jovem / A tristeza esperou, a tristeza venceu". "Anyone's Ghost" é sobre sentimentos de vazio, enquanto "Little Faith" apresenta orquestração dramática. Sufjan Stevens contribui com vocais de apoio em "Afraid of Everyone".
A intensa faixa 6, "Bloodbuzz Ohio" (veja link abaixo) é uma das melhores canções de "High Violet". "Lemonworld" é uma jóia delicada, na qual os simples do do do's de Berninger são destaque. A íntima e lenta Runaway traz uma atmosfera de resignação. Então chega outra grande música, "Conversation 16", com bateria imponente, guitarras etéreas e um coral de apoio fantasmagórico. A penúltima faixa, "England" é quente, e o disco é encerrado pela majestosa "Vanderlyle Crybaby Geeks", um lado B da abertura. O National chegou ao estágio mais alto de sua carreira. "High Violet" promove um estado de espírito comovente e acolhedor. É um álbum que expressa sentimentos e visões de mundo muito particulares com maturidade, clareza e equilíbrio. Você sente como se, de alguma forma, a música falasse de você também.