O
Foals acaba de lançar seu segundo álbum,
Total Life Forever. Nele, a banda demonstra um grande amadurecimento. Há momentos dançantes, como em seu debut, mas agora as canções estão confortáveis. Tudo está inserido em maior profundidade e amplitude. O quinteto britânico de indie rock mostrou como foram precipitados aqueles que o julgaram como uma onda passageira.
Já no início da carreira, o grupo demostrou ousadia. Yannis, Ed, Jack, Jimmy e Walter já eram conhecidos do público por dois singles lançados, "Hummer" e "Mathletics", mas optaram por deixá-los fora do primeiro disco,
Antidotes (2008), e olhar para frente. Durante a produção do álbum de estréia, os novatos tiveram atitude suficiente para dispensar
Dave Sitek, produtor do
TV On The Radio, por acharem que o trabalho não estava como gostariam.
Antidotes foi dinâmico e enérgico, uma estréia realmente boa. Porém, as faixas pareciam muito entre si: ao mesmo tempo em que isso deu coesão ao disco, revelou certa limitação.
Em
Total Life Forever, o Foals desenvolveu sua sonoridade além do esperado. Os vocais de Yannis Phillipakis estão mais emotivos e versáteis. As agudas doses de guitarra permanecem, mas servem para dar sabor ao invés de conduzir as músicas.
O clima não está eufórico como antigamente. A proposta agora é fornecer a atmosfera para um lamento ardente. As emoções muitas vezes aparecem obscurecidas em uma espessa névoa de imagens. O som está mais complexo, hipnótico e sinistro. Esse lançamento retrata as paranóias do quinteto com coragem, ingenuidade e humanidade. O Foals encontrou equilíbrio na liberdade: entre os ritmos do passado e o brilho do pop, soa como a mesma banda.
O disco soa diferente logo na abertura, com a consistente "Blue Blood" e seu vocal que lembra Fleet Foxes. Depois chega o pop da extrovertida "Miami", e a faixa-título, cujos versos dizem "Eu conheço um lugar onde eu posso ir quando eu estou deprimido". "Black Gold" é enganosa. Começa no disco-punk do passado mas, conforme avança, se torna claustrofóbica.
"Spanish Sahara" nasce sem cor, cresce e chega ao final em ruínas. É a canção mais poderosa do álbum. A bela faixa 6, "This Orient" dá continuidade, seguida por "After Glow" e sua intensidade inconstante. "Alabaster" parece assombrada, enquanto "2 Trees" flutua. "What Remains" encerra o álbum com vocal mais forte e guitarras que parecem sintetizadores.
Total Life Forever não é assimilado imediatamente. A maioria das faixas começa de um jeito e termina de outro. Na primeira audição, as músicas soam indiferentes e distantes. Conforme você torna a ouvir o disco, as canções mudam de forma e se magnetizam.
O Foals expandiu seu alcance consideravelmente e obteve um progresso impressionante. Seu novo trabalho é envolvente, embora às vezes confuso. Agora não lhes falta um coração e sobra intensidade.