Produtora alemã visita o pop em quinto álbum.
Maio é conhecido por ser o mês das noivas, mas na dance music também podemos dizer que o mês é o preferido de Ellen Allien para lançar seus álbuns. Brincadeiras à parte, dia 17 último
Dust,
quinto álbum solo da produtora, chegou às lojas mundiais, com direito a grande festa de lançamento no berlinense Panorama Bar. Acontece no dia 22 e além da própria Ellen Allien, tocam
Chaim, Kiki,
Mr. Statik e BabyG.
O álbum faz releitura do electro-pop sem perder a estranheza sutil que cercam as produções de Allien. Se
Sool foi uma reinvenção de sua própria criação, evolução atípica nas produções da artista,
Dust tira a poeira do velho synth-pop. Os vocais suaves e sussurrados, marca registrada da alemã, são somados a letras em voz cheia de efeitos, a plenos pulmões. Sim, Ellen Allien pode cantar!

Com co-produção de
Tobias Freund, o álbum exalta frescor mas é um pouco mais imediato que seu antecessor. Segundo a autora, fica bem ali entre a música eletrônica para ouvir em casa e as batidas compassadas da pista de dança.
Dia 11 último, o
Bpitch Control liberou parte do vídeo novo de "Our Utopie", faixa que abre o álbum. O vídeo é extensão da arte de divulagação do álbum.
Dentro dessa atmosfera vem a boa, "Flashy Flashy" vem bem chiclete, pop e divertida. Sua voz, cheia de efeitos, vai com a música. A latinidade que há alguns anos pegou Ellen de jeito é perceptível. Nuances de
Matias Aguayo e breakbeats diluidíssimos (diluidíssimos, disse) de
M.I.A.. na fase
Arular também são notados. Um outro momento "aguayano", mais para
Rebolledo, é "Huibuh". Percussões latinas deixam a debochada letra ("what can we do to feel huibuh? It's up to you to feel huibuh") cantada em meio a tablas sintetizadas.
Em "You" Ellen flerta, e bem, com guitarras levemente distorcidas e uma linha de baixo marcante ao fundo - algo como "se Ricardo Villalobos produzisse o Joy Division gravando pela Kompakt". "Sun The Rain" é uma faixa que mostra como Gui Boratto fez escola, carregando em um quê das passagens melódicas do brasileiro. Um Boratto desconstruído, porém.

"Ever" nos presenteia com referências às espacialidades de Detroit e ao acid, explicíta, e implicitamente.
Octave One,
Model 500 e até mesmo a chilena
Dinky vem à lembrança. A faixa segue em loop hipnótico, somada a uma melodia e pontuada por "ahs" ao fundo, na voz da berliner. Já, "Dream" é ácida, crua (de kraut) com samples que lembram Kraftwerk . A faixa parece trecho de um sonho musical, sincopado. Maturidade confirmada com a idade
Pode até pegar mal, falar em maturidade no alto do quinto álbum de uma artista tão dinâmica e relevante como ela Ellen Allien. Como um vinho que melhora com os anos, as produções de Allien cresceram e desenvolveram uma identidade própria que a identifca com o seu selo, sua marca, suas produções, suas criações.
Dust mostra bastante essa maturidade musical ao pedir emprestado identificações sonoras com outros selos, outros artistas e com inúmeros gêneros. Do electro-pop ao synth, do minimal ao experimentalismo. Esses empréstimos viajam até geograficamente: escuta-se um pouco de Berlim, de Colônia, de Detroit, do México e até do Chile. Tudo misturado, sem deixar de ser Ellen Allien.
Que álbum excelente!
É ótimo que esse álbum seja mais "pop", assim ainge mais gente (não que ela precise disso eheh). Ellen é referência na música eletrônica, mas mesmo assim, às vezes passa mais desapercebida do que merece.
Me lembro quando ela veio no Brasil participar do festival Eletronika em BH, há quase dez anos. Nego tava lá e nem sabia direito quem ela era..
Ah, e a resenha, nota cem hein?
"Huibuh" é tb o nome de um personagem de desenho animado. ADORO essas homanegens...;]