Um laptop e um violão

James Yuill não é apenas um cara com um laptop e um violão. É um artista com talento para elaborar música pop poderosa a partir da combinação inusitada de atmosfera emotiva, batidas viscerais e ritmos dinâmicos.
Nessa sonoridade tão particular o músico realiza a fusão de influências tão diversas quanto como Sufjan Stevens e
Aphex Twin. Dessa forma, em alguns momentos a ênfase está nos suaves vocais acompanhados de violão, e em outros, o músico convida a dançar ao som de uma variedade de batidas e efeitos.
As expectativas sobre Yuill são altas. Seu álbum de estréia,
Turning Down Water for Air (2008) foi recebido com grande aclamação e o posicionou firmemente na vanguarda do movimento folktronico.
O novo trabalho,
Movement In A Storm, o londrino mantém sua identidade, mas realiza uma mudança sutil na direção do projeto. Em geral, os vocais parecem um pouco mais abatidos, e o ritmo, um pouco menos agressivo. Talvez a intenção fosse desafiar os rótulos.
A atmosfera desse segundo disco é vulnerável. A tendência à melancolia nunca é completamente pronunciada, mas também nunca está, de todo, ausente. Em algumas faixas isso é perceptível graças às referências folk, em outras, essa sensação está camuflada por batidas contagiantes.
A abertura do álbum, "Give You Away", representa um pouco desse mistério, enquanto avança a passos largos, com uma forte seqüência de sintetizador que lembra a década de 80. A faixa 3, "First Line", contém um traço de melancolia, apesar da porção disco. O mesmo vale para "On Your Own", cujo vibrante charme electro coexiste com o vocal suave que persegue algo tocante.
Os momentos em que certa tristeza é mais evidente ficam para "Sing Me A Song", "Ray Gun", para a instrumental "Wild Goose At Night" e para o encerramento do disco, "Taller Song", que revela a criatividade do cantor e compositor.
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James Yuill - Wild Goose at Night (mp3)
As influências folk marcam presença no trabalho. A agradável "Foreign Shore" mostra que os vocais funcionam bem sem um conjunto de programação e sintetizadores sobre ele. "My Fears" é um legítimo fruto da combinação entre folk e música eletrônica, assim como "Crying For Hollywood", que é cintilante, mas discreta. Ambas comprovam que os violões não atrapalham a dançante batida pop.
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James Yuill - My Fears (mp3)
Este trabalho tem um conceito bem amarrado e é rico em conteúdo. Algumas canções são melhores do que outras, mas é um bom conjunto e o álbum amadurece gradualmente após cada faixa. É uma trilha sonora para os dias quentes de verão - batidas e sintetizadores ensolarados percorrem
Movement In A Storm. A costura entre as músicas é hedonista.
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James Yuill - Taller Song (mp3)
A sensibilidade pop é evidente, com músicas cativantes e bem produzidas. Além de contribuir com vocais firmes e, ao mesmo tempo, despretensiosos, James Yuill apresenta talento indiscutível na medida em que produziu tudo isso sozinho.
Teoricamente, a coexistência de vários estilos em um álbum de dez faixas não deveria funcionar. Mas os elementos eletrônicos estão em harmonia com os acústicos. O resultado é um trabalho flexível, mais inovador do que confuso.
muito bom o som!
Já sobre a resenha, juro, não li nada uehu.. são 1h, to indo deitar, só vim ver a qualidade sonora, já que quase tudo que você escuta eu acabo gostando :P
mas mesmo assim, parabéns pelo trabalho exposto; confio que deve estar mto bom a parte escrita (sem "puxasaquismo")