James Yuill, londrino da vanguarda folktronica, em segundo disco
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ficha técnica
Nota: 3.5 / 5
Ano: 2010
Selo: Moshi Moshi
Estilos: folk, electronica
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James Yuill, londrino da vanguarda folktronica, em segundo disco
Com evidente sensibilidade pop, álbum traz músicas cativantes e bem produzidas
26.07.10 13:30
Um laptop e um violão
Um laptop e um violão
James Yuill não é apenas um cara com um laptop e um violão. É um artista com talento para elaborar música pop poderosa a partir da combinação inusitada de atmosfera emotiva, batidas viscerais e ritmos dinâmicos.

Nessa sonoridade tão particular o músico realiza a fusão de influências tão diversas quanto como Sufjan Stevens e Aphex Twin. Dessa forma, em alguns momentos a ênfase está nos suaves vocais acompanhados de violão, e em outros, o músico convida a dançar ao som de uma variedade de batidas e efeitos.

As expectativas sobre Yuill são altas. Seu álbum de estréia, Turning Down Water for Air (2008) foi recebido com grande aclamação e o posicionou firmemente na vanguarda do movimento folktronico.

O novo trabalho, Movement In A Storm, o londrino mantém sua identidade, mas realiza uma mudança sutil na direção do projeto. Em geral, os vocais parecem um pouco mais abatidos, e o ritmo, um pouco menos agressivo. Talvez a intenção fosse desafiar os rótulos.

A atmosfera desse segundo disco é vulnerável. A tendência à melancolia nunca é completamente pronunciada, mas também nunca está, de todo, ausente. Em algumas faixas isso é perceptível graças às referências folk, em outras, essa sensação está camuflada por batidas contagiantes.

A abertura do álbum, "Give You Away", representa um pouco desse mistério, enquanto avança a passos largos, com uma forte seqüência de sintetizador que lembra a década de 80. A faixa 3, "First Line", contém um traço de melancolia, apesar da porção disco. O mesmo vale para "On Your Own", cujo vibrante charme electro coexiste com o vocal suave que persegue algo tocante.



Os momentos em que certa tristeza é mais evidente ficam para "Sing Me A Song", "Ray Gun", para a instrumental "Wild Goose At Night" e para o encerramento do disco, "Taller Song", que revela a criatividade do cantor e compositor.

Flash Content
James Yuill - Wild Goose at Night (mp3)

As influências folk marcam presença no trabalho. A agradável "Foreign Shore" mostra que os vocais funcionam bem sem um conjunto de programação e sintetizadores sobre ele. "My Fears" é um legítimo fruto da combinação entre folk e música eletrônica, assim como "Crying For Hollywood", que é cintilante, mas discreta. Ambas comprovam que os violões não atrapalham a dançante batida pop.

Flash Content
James Yuill - My Fears (mp3)

Este trabalho tem um conceito bem amarrado e é rico em conteúdo. Algumas canções são melhores do que outras, mas é um bom conjunto e o álbum amadurece gradualmente após cada faixa. É uma trilha sonora para os dias quentes de verão - batidas e sintetizadores ensolarados percorrem Movement In A Storm. A costura entre as músicas é hedonista.

Flash Content
James Yuill - Taller Song (mp3)

A sensibilidade pop é evidente, com músicas cativantes e bem produzidas. Além de contribuir com vocais firmes e, ao mesmo tempo, despretensiosos, James Yuill apresenta talento indiscutível na medida em que produziu tudo isso sozinho.

Teoricamente, a coexistência de vários estilos em um álbum de dez faixas não deveria funcionar. Mas os elementos eletrônicos estão em harmonia com os acústicos. O resultado é um trabalho flexível, mais inovador do que confuso.

Vivian Reis
Vivian Reis
Vivian é jornalista e vê a música como um meio de comunicação.
comentários
2 comentários
furlan
furlan(28.07.10)
1AprovadoQueima
caiu como uma luva para o momento vivi!
muito bom o som!
Já sobre a resenha, juro, não li nada uehu.. são 1h, to indo deitar, só vim ver a qualidade sonora, já que quase tudo que você escuta eu acabo gostando :P
mas mesmo assim, parabéns pelo trabalho exposto; confio que deve estar mto bom a parte escrita (sem "puxasaquismo")
Hermes
Hermes(27.07.10)
2AprovadoQueima
Ótimo!