Terceiro álbum retoma banda após colapso sofrido em 2009.
As atenções indies miram o litoral - a salgada brisa oceânica; o mormaço que não queima suas coxas brancas desde a infância. Percebeu? No clipe de "Guys Eyes", os caras do Animal Collective usaram imagens de surfistas deslizando com pranchas sobre belas marolas.
Um dos discos mais elogiados dos últimos meses, Crazy for You, vem duma banda californiana chamada Best Coast. (Sem falar no
Beach House, de Baltimore.) E tem este
King of the Beach, terceiro álbum do...
Wavves!
Formado em San Diego três anos atrás, quando lançou a estreia homônima, o projeto noise-rock de Nathan Williams se tornou conhecido pelas músicas gravadas em casa e pela sonoridade tosca-mas-legal. Em 2009, lançaria outro LP intitulado "Wavves" antes de partir para sua primeira excursão europeia. Um coquetel de ecstasy, Valium e Xanax, porém, mudou o curso das coisas. A combinação ingerida por Williams antes dum show no festival
Primavera Sound, em Barcelona (vídeo abaixo), fez o músico surtar sobre o palco - chapado, brigou com o baterista, foi alvejado por garrafas e por um sapato. A turnê (com 30 datas) foi cancelada.
Este
King of the Beach é, portanto, uma tentativa de o Wavves se colocar no eixo. Para isso, dois novos integrantes ingressaram na banda - Billy Hayes e Stephen Pope, que tocavam junto ao finado
Jay Reatard (1980-2010). O disco soa mais polido, com as mesmas baladas intensas que fizeram o sucesso de seus trabalhos anteriores.
Não custa muito simpatizar com a animada
faixa-título ou com
"Super Soaker", dupla pop, veloz e enérgica que abre o disco à moda punk californiana. Os arranjos de guitarra, baixo e bateria se fundem em gravações granuladas, distantes. "When Will You Come", um dos raros momentos lentos deste disco, tem uma atmosfera narcótica que lembra Velvet Underground numa versão inofensiva e bronzeada.
Na maior parte das canções, porém, o Wavves passa seu recado em menos de três minutos, barulhento e rápido, com o vocal monofônico de Williams à frente da fanfarra. "Post Acid" e "Take on the World" soam juvenis, desbotadas em meio a tantos acordes e esquemas repetitivos que se sucedem - passando por "Green Eyes" e "Linus Spacehead" - até o encerramento, estupidamente alegre, com "Baby Say Goodbye". Para se fazer lembrar, Williams terá que se esforçar mais, e entregar algo (pelo menos) tão intenso quanto seu colapso sobre o palco do Primavera.