Em junho
o rraurl resenhou Windstorm, primeiro single deste segundo álbum do trio nova-iorquino School of Seven Bells. Um mês depois o LP chegou às lojas com dez faixas, nas quais os americanos destilam um dream-pop fantasmagórico e acessível. As canções não soam excessivamente cabeçudas como o trabalho de parte dos grupos de shoegaze que há por aí. Calorosas, servem de contraponto ao noise-rock de conterrâneos como
Sleigh Bells e
Dirty Projectors.
A banda se formou em 2007, quando o produtor Benjamin Curtis conheceu as gêmeas Alejandra e Claudia Deheza. Eles abandonaram seus antigos projetos — Secret Machines e On!Air!Library! — para morar juntos e fazer música num estúdio improvisado. No primeiro trabalho,
Alpinisms (2008), emplacaram a ótima "Iamundernodisguise", remixada depois pelo americano
Prefuse 73 sob o título "The Class of 73 Bells".
"Windstorm" continua sendo o carro-chefe do disco. Além de ter sido lançada como primeiro single junto a um remix do trio A Place to Bury Strangers, ganhou clipe dirigido pelo americano David Altobelli (ele já trabalhou com o produtor francês M83, entre outros). Até em nossas rádios está sendo executada — prova de seu potencial pop, escondido sob rajadas esfumaçadas de sintetizador.
Mas vamos às novidades: "Camarilla" é outro destaque. Com ela, o trio investe numa levada mais dançante, arranjada sobre bateria quebrada e teclados ágeis (não sem antes aparecerem os vocais etéreos das gêmeas, quase como numa miragem sonora). Mais ao final entram guitarras cheias de eco - sempre costuradas pelas vozes de Alejandra e Claudia.
Com sua percussão agitada, "Heart is Strange" apresenta uma faceta mais animada e calorosa do School of Seven Bells. Ainda assim, preserva uma melancolia velada (e deliciosa). Parece saída dos anos 1980, com texturas espaciais e cheias de rastro. Em "Dust Devil", essa mesma sonoridade aparece num ritmo mais contido, pequenino, de bateria minimalista. É uma obra-prima em escala nanoscópica, em que a simplicidade das bases instrumentais contrasta (mais uma vez) com a grandiosidade dos timbres das gêmeas - cheios e complexos.
Quem prefere canções (ainda) mais contemplativas
deve escutar "I L U", desenhada essencialmente sobre um conjunto disforme de teclados, guitarra, e muita reverberação. E, para arrematar, "Babelonia" - sua bela melodia lhe dará a convicção de que, se você deseja conhecer o que há de interessante sendo produzido no dream-pop atualmente, é preciso parar e ouvir o novo álbum do School of Seven Bells.