Arcade Fire - The Suburbs
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ficha técnica
Nota: 4.5 / 5
Ano: 2010
Selo: Merge Records
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Arcade Fire - The Suburbs
Novo disco é conjunto de reflexões
10.08.10 09:50
Logo em sua estréia o Arcade Fire demonstrou maturidade com uma meditação sobre a morte. Em seguida lançou um disco ainda mais intenso, com músicas como "No Cars Go". Agora, em seu fantástico terceiro álbum, o septeto confirma que trabalha apenas com padrões gigantescos. The Suburbs explora o passado com audácia e ambição, mantendo a elegância e a acessibilidade.

Funeral, de 2004, foi um dos discos mais extraordinários da década. Apesar de inquietante, inspirado em diversas perdas familiares, a atmosfera era otimista, e as origens foram celebradas com vigor jovem. Seu sucessor, Neon Bible, de 2007, foi outro ótimo álbum, ainda que menos deslumbrante. A sonoridade da banda foi expandida, mas talvez a substituição do romantismo pela amargura tenha sido a responsável pela sensação de exagero.

AF


Em The Suburbs, a banda está musicalmente mais sólida, rica e bem acabada. Embora ainda angustiado e obscuro, o grupo soa mais leve. As músicas nunca parecem sobrecarregadas. O disco é muito mais um conjunto de reflexões do que uma reação violenta contra tudo. É um álbum que evolui delicadamente e que ao vivo ganha tons épicos graças a suas fortes melodias - veja aqui no nosso review do festival Lollapalooza 2010, em que a banda foi destaque.

Desse jeito, mais leve, o grupo não apresenta os tropeços de Neon Bible, e o Arcade Fire prova que pode fazer grandes declarações sem soar como se estivesse carregando o peso do mundo. A faixa seis, "City With No Children", exemplifica este novo clima demonstrando uma maturidade que está longe de ser enfadonha, com seus riffs afiados. Mas, como mencionado, as 16 faixas são marcadas por um sereno desespero, pela dor de romantizar o tempo perdido da juventude. As letras estão cheias de desilusão. "We Used to Wait", por exemplo, é um lamento sobre a o ritmo implacável da vida que exige tudo de imediato. O piano evoca ansiedade, enquanto a bateria forte sustenta a canção.



A faixa dois, "Ready to a Start", é sobre sentir-se sobrecarregado pela fama, enquanto no pop barroco da sinistra "Rococo", o vocalista cutuca o hipster mais preocupado em seguir tendências do que encontrar um entendimento genuíno da vida.



A nostálgica "Suburban War" proporciona um dos momentos mais bonitos do álbum, cristalizando a sensação de perda que permeia o álbum. "Deep Blue", por sua vez, é uma referência ao supercomputador desenvolvido pela IBM, que derrotou o campeão do mundo de xadrez, Garry Kasparov, em 1996. A música é sobre o triunfo da tecnologia sobre o homem. "The Suburbs" é um disco que busca edificar, em todos os sentidos. Há um par de canções que sintetiza esse conceito. O desânimo de "Sprawl I (Flatland)" é amparado por "Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)". Nesta última, banda sai da sua zona de conforto com um disco, e ainda comprova que Régine Chassagne equilibra o temperamento sombrio de seu marido e parceiro de banda, Win Butler.



O Arcade Fire mantém sua identidade, como na faixa 5, "Empty Room", com seu toque orquestral, marca registrada da banda. Porém, o grupo está realmente diferente. Aqueles que esperavam a aventura do "viver perigosamente" dos trabalhos anteriores podem desaprovar "The Suburbs".

http://www.youtube.com/user/ArcadeFireVEVO#p/u/8/RdYyYFymH-Y

O foco do álbum é fazer desabafos épicos. Além disso, sua ótima produção criou uma atmosfera sutil, com músicas mais enxutas. Mesmo assim, o disco precisa de tempo para ser completamente assimilado, ele cresce a cada audição. E vale a pena, porque é um álbum belíssimo - o grupo documenta a nossa existência e expressa preocupações reais e honestas com essa geração. Tudo isso com sensibilidade e arte.



AF

Vivian Reis
Vivian Reis
Vivian é jornalista e vê a música como um meio de comunicação.
comentários
12 comentários
Jade Augusto Gola
O disco eh lindo mesmo, mas alguem tambem o achou extenso DEMAIS?
Priscila
Priscila(12.08.10)
4AprovadoQueima
The suburbs me passou um sentimento tão singular, de querer muito alguma coisa que não sei o que é e nem sei explicar por exemplo com o que parece, e eu fico me perguntando se por acaso "isso", esse sentimento, vai ser saciado se acaso eles vierem mesmo ao Brasil e eu puder vê-los ao vivo...eu sinceramente não sei. A sensação que tenho é que ele fez dispertar algo em mim, algo da alma....eu sei que parece muito sentimentalista isso, mas é muito sincero. E com certeza, esse album é um daqueles que marcarão a nossa geração...
Carlinhos
Carlinhos (12.08.10)
2AprovadoQueima
Markan, entendi exatamente o que tu quis dizer. O que eu estou perguntando é qual vai ser o line-up de um Glastonbury daqui a 20 anos? Cite uma banda que surgiu nos 00's e que faz shows pra um público acima de seis dígitos hoje. Arcade Fire? Pode ser. O que eu particularmnte acho é que esse estereótipo do Rock'n'Roll Star colecionador de mansões e destruidor de hotéis vai acabar. As bandas multiplicam-se e pulverizam a preferência do público. Mas olha, respeito tua opinião. E comigo é tudo achismo e teoria de boteco. Abraço.
 Markan
Markan (12.08.10)
1AprovadoQueima
Amigo @Carlinhos Eu acho que o U2, Beyoncé e Lady Gagas da vida fazem 'rios de dinheiro' com gig/shows/tour sim! Agora eu não sei o que é 'rios de dinheiro' para você mas pelo menos para mim, mesmo sabendo que a Indústria não é mais a mesma, continua sendo muito, mas muito dinheiro que esse povo faz. Falei isso sobre o Arcade Fire porque o som que eles fazem é colossal, para multidões em grandes shows e festivais. Se um dia quiserem ficar mais "pop" para faturar podem fazer muito dinheiro. Entendeu? E outra amigo, por mais que o mercado esteja cada vez mais segmentado e apertado, sempre haverá aqueles blockbusters. Artistas ficam velhos e outros tem chegar para ocupar o espaço. O U2 um dia foi pequeno, hoje é gigantesco mas um dia vai acabar. Alguém vai ter que ocupar o espaço, não estou dizendo que vai ser o Arcade Fire. Só disse que eles tem todos os atributos para para isso, se eles quiserem é claro. Só o tempo irá dizer o que vai acontecer.
Carlinhos
Carlinhos (12.08.10)
2AprovadoQueima
@ Markan - Aí eu já acho que tu te empolgou. "Rios de dinheiro" no cenário atual, onde cada vez mais bandas tocam (e vendem) pra menos público? Acho difícil.