Fuck Buttons no Nova
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ficha técnica

Ano: 2010
Estilos: noise, experimental, eletronico, indie
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Fuck Buttons no Nova
Dupla inglesa se apresenta também no SESC Pompéia, esse sábado
13.08.10 14:45
Para o Fuck Buttons, o mundo é barulho. É como se a dupla formada por Andrew Hung e Benjamin John Power partisse do pressuposto que o universo é um amontoado de sons desconexos, violentos e inacabados, a espera infinita de alguém que os transforme em um todo.

Essa necessidade de abafar o silêncio e criar disparates sônicos e dissonantes é uma das grandes qualidades do Fuck Buttons - entretanto, quando a dupla resolve exagerar no experimentalismo, a coisa pode sair dos trilhos. Curiosamente, o que aconteceu no show do Fuck Buttons nesta quinta-feira (12) no MIS (Museu de Imagem e Som), como parte da programação do festival Nova, não foi nem um arroubo de experimentalismo nem um show convencional, e sim um meio-termo decepcionante entre a coragem de arriscar e a segurança de um repertório tradicional.

O show começou bem, com o duo aumentando ao máximo o volume (a organização distribuiu protetores auriculares para o público) e transformando alguns samples de death metal em melodias quase convencionais, repletas de arranjos atmosféricos e que uniam "beleza tradicional" com um noise nervoso e muito bem feito. O som sintetizado dando sustentação aos vocais metalizados foi uma escolha tão acertada que o show prometia ser um estouro de virtuosismo.

No álbum Street Horrrsing, lançado em 2008, o grupo já havia adicionado a seu som influências tribais, que inclusive trouxeram ainda mais o elemento percussivo para o elogiado Tarot Sport, de 2009. O início do show do MIS contou com excelentes incursões por essas influências, fazendo com que a apresentação ganhasse uma aura de sacrifício ritual.

Infelizmente, após os 20 minutos iniciais, o show perdeu esse toque mais violento e apostou em uma sonoridade progressiva - que, por mais que seja um dos lados do duo que mais mostre a habilidade dos músicos em manipular sons inesperados, é também um daqueles elementos que perdem seu significado e se tornam vazios com rapidez. Quando isso acontece, não importa que a banda seja boa e os músicos sejam criativos - o resultado é sempre o tédio.

Tarot Sport é um álbum sensacional, um apanhado só de influências, experimentações e sinfonias. Um bloco sonoro com vontade de ser épico, maior do que a música, maior do que todos os seus elementos reunidos. Ao vivo, a probabilidade de criar uma massa sonora impressionante e que envolva o público nessa atmosfera épica e potencializada, como em qualquer show que lide com superlativos - mas a apresentação do Fuck Buttons preferiu não investir nessa possibilidade, que poderia ter sido interessante para um show de curta duração e em um local pequeno e de clima intimista.

Retomando alguns samples utilizados no início da apresentação, o Fuck Buttons encerrou seu show após cerca de 45 minutos. O duo se apresenta mais uma vez neste sábado, na choperia do Sesc Pompéia.

Stefanie Gaspar
Stefanie Gaspar
comentários
3 comentários
Raul Cornejo
Raul Cornejo(17.08.10)
1AprovadoQueima
Eu acho q se elucidassem a q "progressivo" se refere no contexto esotericamente usado aqui, já ajudaria um bocado.
Porro
Porro(16.08.10)
1AprovadoQueima
fiquei confuso, foi bom ou foi ruim?
Vivian Reis
Vivian Reis(15.08.10)
1AprovadoQueima
Gostei da apresentação do duo no SESC. Houve momentos bonitos, épicos, ms o q me incomodou foi algo mencionado no texto - às vezes acho mesmo q eles erraram a mão no progressivo, a pto d em determinados momentos vc n saber aonde está. rs Talvez essa seja a intenção... Ms infelizmente, beira o tédio.