Para o
Fuck Buttons, o mundo é barulho. É como se a dupla formada por Andrew Hung e Benjamin John Power partisse do pressuposto que o universo é um amontoado de sons desconexos, violentos e inacabados, a espera infinita de alguém que os transforme em um todo.
Essa necessidade de abafar o silêncio e criar disparates sônicos e dissonantes é uma das grandes qualidades do Fuck Buttons - entretanto, quando a dupla resolve exagerar no experimentalismo, a coisa pode sair dos trilhos. Curiosamente, o que aconteceu no show do Fuck Buttons nesta quinta-feira (12) no MIS (Museu de Imagem e Som),
como parte da programação do festival Nova, não foi nem um arroubo de experimentalismo nem um show convencional, e sim um meio-termo decepcionante entre a coragem de arriscar e a segurança de um repertório tradicional.
O show começou bem, com o duo aumentando ao máximo o volume (a organização distribuiu protetores auriculares para o público) e transformando alguns samples de death metal em melodias quase convencionais, repletas de arranjos atmosféricos e que uniam "beleza tradicional" com um noise nervoso e muito bem feito. O som sintetizado dando sustentação aos vocais metalizados foi uma escolha tão acertada que o show prometia ser um estouro de virtuosismo.
No álbum
Street Horrrsing, lançado em 2008, o grupo já havia adicionado a seu som influências tribais, que inclusive trouxeram ainda mais o elemento percussivo para o elogiado
Tarot Sport, de 2009. O início do show do MIS contou com excelentes incursões por essas influências, fazendo com que a apresentação ganhasse uma aura de sacrifício ritual.
Infelizmente, após os 20 minutos iniciais, o show perdeu esse toque mais violento e apostou em uma sonoridade progressiva - que, por mais que seja um dos lados do duo que mais mostre a habilidade dos músicos em manipular sons inesperados, é também um daqueles elementos que perdem seu significado e se tornam vazios com rapidez. Quando isso acontece, não importa que a banda seja boa e os músicos sejam criativos - o resultado é sempre o tédio.
Tarot Sport é um álbum sensacional, um apanhado só de influências, experimentações e sinfonias. Um bloco sonoro com vontade de ser épico, maior do que a música, maior do que todos os seus elementos reunidos. Ao vivo, a probabilidade de criar uma massa sonora impressionante e que envolva o público nessa atmosfera épica e potencializada, como em qualquer show que lide com superlativos - mas a apresentação do Fuck Buttons preferiu não investir nessa possibilidade, que poderia ter sido interessante para um show de curta duração e em um local pequeno e de clima intimista.
Retomando alguns samples utilizados no início da apresentação, o Fuck Buttons encerrou seu show após cerca de 45 minutos. O duo
se apresenta mais uma vez neste sábado, na choperia do Sesc Pompéia.