Após três anos sem lançar material novo, Klaxons volta roqueiro, claustrofóbico e soturno
O ano é 2006. Os britânicos
Klaxons lançam seu primeiro single, "Gravity's Rainbow", e mudam o mundo. Seu som que misturava elementos de música eletrônica ao indie rock e o electro, somado às roupas coloridas, logo viraram febre. Uma das revistas de música mais respeitadas do mundo, a britânica NME, tratou de cunhar o termo:
new rave. O disco
Myths of the Near Future vem um ano depois e toca incansavelmente em todos os lugares possíveis e ganha o Mercury Prize, o mais respeitado prêmio da música britânica.
O ano é 2008 e o dito popular "Deus dá, Deus tira" nunca fez tanto sentido. Do dia pra noite, a poderosa NME anuncia que a new rave estava morta e o Klaxons perde fôlego. E agora, o que seria da banda e de todas os outros inúmeros projetos que surgiram na onda da new rave? Estariam todos fadados ao fracasso?
O Klaxons passa por um longo período tentando se reinventar. Prometem um segundo álbum mais "psicodélico" e "progressivo", mas nada de músicas novas. Passam-se dois anos, e a banda diz que finalmente tem um novo álbum, mas... vão ter que regravar por que a gravadora (Polydor) achou que não está pop o suficiente. Ou seja: sem o potencial de estourar a exemplo do primeiro.
Voltamos para 2010. Talvez apreensivos com a tamanha repercussão de seu trabalho de estreia e o estigma da então já muito criticada new rave, os Klaxons lançam o primeiro single após três anos sem muito barulho. "Flashover" chega e todos os sites logo manchetam: O Klaxons está roqueiro. "Flashover" é sisuda, reta e tem 5 minutos de duração. Gostamos, mas também ficamos apreensivos.
O álbum finalmente é lançado no dia 23 de agosto, também sem alarde. Mas basta uma primeira audição para perceber que o disco merece o nosso tempo.
"Echoes", a faixa de abertura, já mostra que a banda que conhecíamos mudou muito. E pra melhor. Aquela que ajudou a bombar o movimento new rave, com os sintetizadores e roupas coloridas, não existe mais. O Klaxons agora é roqueiro, e "Echoes" tem um pé no shoegaze.
"The Same Space" chega e... opa. Peraí. Folk? Não estou ficando louca, tem folk no disco do Klaxons e o mundo não está perdido. Vamos em frente.
"Surfing the Void", a faixa que dá título ao disco, é talvez a que mais lembre o Klaxons que conhecemos, mas com vocais trabalhados e produção mais sofisticada. Ao mesmo tempo, "Surfing the Void" é caótica no estilo de "Magick" e "Not Over Yet".
A urgência de "Valley of the Calm Trees" vem para fechar a primeira parte do disco e dar espaço a um Klaxons mais soturno em "Venusia", que tem cara de música pra pista. Alguém arrisca um remix? "Extra Astronomical" é certamente a faixa com mais guitarras e distorções do álbum. Mas tudo bem, por que a próxima, "Twin Flames", tem sintetizadores espaciais e é um pouco mais lenta. Next.
"Flashover" chega para dizer que o caos ainda não terminou. O break após mais de 3 minutos de música com voz e sintetizadores, que logo descambam para uma bateria acelerada, é um dos pontos altos do disco e aquele tipo de momento que leva o público ao delírio ao vivo.
Mesmo nas duas últimas faixas do disco, "Future Memories" e "Cypherspeed", os Klaxons fazem questão de aproveitar o tempo e não deixar nenhuma brecha no som, o que pode funcionar até a página 2. Por um lado, prender o ouvinte pode mal dar espaço para que ele possa respirar, por outro, essa claustrofobia pode ser justamente o motivo que irá sufocar e afastar alguns. De um jeito ou de outro, nós aqui achamos que os meninos aprenderam a lição.